Existe uma verdade que ninguém te ensina na escola, na igreja ou em casa, porque ela incomoda demais para ser dita em voz alta: o mundo está cheio de gente que vai usar você até a última gota, e vai chamar isso de parceria, de amor, de lealdade, de equipe. Vão te convencer de que apagar seus próprios sonhos para alimentar os sonhos deles é virtude. Vão chamar sua anulação de generosidade. E você vai aceitar, porque ninguém te ensinou a reconhecer quando está sendo devorado vivo com um sorriso no rosto de quem está te devorando.
O cordeiro nasce condenado. Ou é presa do lobo, que o despedaça pela força sem nenhuma cerimônia, ou é presa do pastor, que finge proteção só até o dia da tosquia, e depois até o dia do abate. O cordeiro nunca escolhe o próprio destino. Ele é recurso. Ferramenta. Material de consumo para o projeto de vida de outra pessoa. E o pior tipo de escravidão não é a que vem com correntes visíveis. É a que vem disfarçada de gratidão, de dever, de retribuição, fazendo você acreditar que está certo em entregar o que é seu para que outro construa o que é dele.
Quanta gente passa a vida inteira sustentando o sonho do chefe, do parceiro, da família, do amigo, e chama isso de função, de papel, de obrigação, enquanto o próprio sonho apodrece esquecido numa gaveta que ninguém mais abre. Quanta gente trabalha décadas para que outra pessoa erga um império, recebe palavras bonitas como pagamento, e morre sem nunca ter construído nada que levasse o próprio nome. Isso não é colaboração. É sacrifício unilateral disfarçado de trabalho em equipe. E quem está do outro lado sabe exatamente disso, e não vai te corrigir, porque sua anulação é o combustível do projeto dele.
Chega a hora de parar de fingir que isso é nobreza. Não é. É covardia disfarçada de bondade, e covardia nunca constrói nada que dure. Quem te usa sem te dar nada em troca além de migalhas de reconhecimento não merece sua lealdade. Merece sua saída. E se a saída não for suficiente, merece a cobrança exata do que tirou de você, na mesma moeda, sem desconto, sem gentileza, sem essa hipocrisia de achar que existe elegância em deixar barato.
Olho por olho, dente por dente. Não como vingança cega, mas como princípio de sobrevivência básico que o mundo moderno tentou apagar da sua cabeça para te manter domesticado. Quem tira de você sem pagar o preço justo vai continuar tirando até não restar nada. E quando não restar nada, vai procurar o próximo cordeiro, porque é assim que esse tipo de gente opera: encontra quem se deixa usar e suga até a medula, sem culpa, sem remorso, chamando isso de natural enquanto a vítima desmorona em silêncio achando que a culpa é dela por não dar conta.
Você não nasceu para viver o sonho de ninguém. Não nasceu para ser o alicerce invisível debaixo da construção que outro vai assinar com o próprio nome. Cada hora que você entrega sem retorno justo é uma hora que você nunca mais recupera, gasta para engordar a vida de alguém que não vai lembrar do seu nome quando a colheita chegar. Isso não é exagero. É matemática simples que ninguém tem coragem de fazer porque o resultado é doloroso demais de encarar.
Um príncipe amado sem ser temido não dura. Vive à mercê do humor de quem está por perto, sendo testado, sendo invadido, sendo consumido pouco a pouco até não sobrar identidade nenhuma que seja realmente sua. Quem nunca demonstrou que cobra o que é devido ensina ao mundo, com cada cedência, que pode ser pisado de novo. E o mundo aprende rápido. Aprende mais rápido ainda quando percebe que você nunca vai cobrar a conta.
Pare de pedir desculpa por querer o que é seu. Pare de aceitar ser usado e chamar isso de paciência. Pare de anular seus próprios sonhos para que outra pessoa realize os dela, achando que algum dia vai sobrar alguma coisa pra você no fim da fila. Não vai sobrar. Nunca sobra. Quem te coloca no fim da fila constrói a fila exatamente assim para que você nunca chegue na frente.
A única linguagem que esse tipo de relação entende é a da consequência. Não a da súplica, não a do discurso, não a do apelo emocional. Quem tirou precisa devolver. Quem usou precisa pagar. E se a cobrança parecer dura demais para quem está acostumado a te ver entregar tudo de bandeja, que pareça mesmo. Você não deve explicação a quem nunca te devolveu o que tirou.
O cordeiro pode continuar acreditando que sua entrega será reconhecida um dia. Vai continuar sendo devorado, devagar, pelo lobo ou pelo pastor, tanto faz, o resultado final é o mesmo. A alternativa nunca foi se anular mais ainda na esperança de ser notado. Foi entender, de uma vez por todas, que ninguém vai te respeitar enquanto você não mostrar, com fatos e não com discurso, que tirar de você tem um preço, e que esse preço vai ser cobrado até o último centavo.
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