Análise militar indica que a logística para o desembarque e o poder de defesa iraniano, com drones e mísseis, tornam uma invasão por terra uma operação de alto risco
Em meio à crescente tensão com o Irã, analistas militares avaliam que uma campanha terrestre contra o país seria uma operação complexa, perigosa e de difícil execução. A análise surge após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressar publicamente sua relutância em iniciar um conflito dessa natureza. “Não quero fazer isso”, declarou Trump em entrevista à Fox News sobre uma possível guerra terrestre. Na ocasião, ele acrescentou que, embora uma campanha em terra seja por vezes necessária, “temos outras pessoas que farão a campanha terrestre por nós”, sem especificar a quem se referia. Especialistas apontam que possíveis alvos para uma incursão incluiriam locais estratégicos como a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, ou a costa sul do país, ao longo do Golfo Pérsico.
Contudo, o desembarque de tropas em número suficiente para sustentar a operação é visto como um desafio monumental. A complexidade de ataques anfíbios permite que os defensores concentrem suas forças nos locais mais prováveis de desembarque. As rotas de aproximação para as embarcações podem ser minadas ou obstruídas, e as tropas que conseguirem chegar à praia enfrentariam um arsenal moderno, que inclui drones, munições loitering (conhecidas como drones suicidas), além de artilharia convencional, morteiros e armamento de infantaria. Outro ponto crítico é a logística. Manter as tropas abastecidas com munição, assistência médica, alimentos e água deixaria os navios de suprimento vulneráveis às mesmas ameaças enfrentadas pela força de invasão.
“O equilíbrio na guerra litorânea mudou fortemente a favor do defensor”, escreveu o capitão do Exército dos EUA, Daniel S. Hogestyn, na publicação oficial da força, a Military Review. Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, com mais de 2.000 militares, já está na região a bordo de navios do Grupo de Prontidão Anfíbia do USS Boxer. Essas unidades são especializadas em operações de desembarque, como incursões e ataques, e possuem componentes de combate terrestre e aéreo. Além disso, a Força de Resposta Imediata da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA pode ser mobilizada em poucas horas para missões específicas, como a tomada de portos ou aeródromos, aumentando a capacidade de resposta americana na região.