Com 98 ouros e 29 pratas, produtores do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais também levaram cinco prêmios especiais no 11º EVO IOOC Italy.
A produção brasileira de azeites extravirgens alcançou um feito histórico na 11ª edição do EVO IOOC Italy, uma das competições mais prestigiadas do setor no mundo. O Brasil conquistou um total de 127 medalhas, sendo 98 de ouro e 29 de prata, em cerimônia realizada em Palmi, na região da Calábria, Itália. O desempenho nacional superou o dos anfitriões italianos em eficiência. Das 139 amostras brasileiras enviadas para o concurso, 127 foram premiadas, resultando em uma taxa de sucesso de 91,4%. A Itália, que enviou 144 amostras, obteve 110 medalhas e um índice de 76,4% de premiação. O concurso deste ano registrou um recorde de 786 azeites inscritos, representando 32 nações. A avaliação da safra 2025/2026 ficou a cargo de um painel com 32 jurados de diferentes países. Além do expressivo número de medalhas, o Brasil arrematou cinco prêmios especiais.
O Azeite Sabiá, de Encruzilhada do Sul (Rio Grande do Sul), foi eleito o Melhor Azeite do Hemisfério Sul com seu produto Coratina. O prêmio de Melhor Azeite do Brasil foi para a Estância das Oliveiras, de Viamão (Rio Grande do Sul), com o Blend La Mamma. A Estância das Oliveiras também foi premiada pelo Melhor Azeite Monovarietal do Hemisfério Sul, com o seu Frantoio. O título de Melhor Azeite Coupage (blend) do Hemisfério Sul ficou com o Milonga "Ana Terra" 1835, da Azeite Milonga, de Triunfo (Rio Grande do Sul). O Azeite Carcará, de Aiuruoca (Minas Gerais), na Serra da Mantiqueira, recebeu o Troféu Melhor da América do Sul "Raúl C. Castellani". Christian Vogt, sócio e sommelier da marca Milonga, destacou o amadurecimento do produto nacional. "A ideia é fazer uma alusão a uma revolução do azeite.
É sobre passar para o público que essa revolução que fazemos é baseada na tecnologia, no conhecimento e na educação dos clientes", afirmou Vogt. Em 2022, outro azeite da Milonga já havia conquistado o prêmio de melhor do Hemisfério Sul na mesma competição. Vogt também comentou sobre as condições da safra. Após quebras nos últimos dois anos devido ao El Niño e às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o clima mais seco deste ano favoreceu a produção. "Neste ano, porém, tivemos uma matéria-prima melhor, tanto em volume quanto em qualidade", explicou. O sucesso brasileiro é resultado de um trabalho de aproximadamente 20 anos. A primeira extração de um azeite extravirgem 100% nacional ocorreu em 2008, em Minas Gerais, e a primeira extração comercial foi em 2009, no Rio Grande do Sul. Segundo Vogt, o setor investiu em tecnologia, pomares modernos e processos rápidos, focando desde o início na alta qualidade para se destacar no mercado.