Pesquisa do A.C. Camargo Cancer Center aponta que, apesar da alta conscientização, a busca por diagnóstico imediato ainda é um desafio, principalmente entre homens.
Uma pesquisa do A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a empresa Nexus, revelou um dado preocupante sobre a saúde dos brasileiros. Embora oito em cada dez pessoas reconheçam a gravidade de sintomas como sangue nas fezes ou alteração intestinal por mais de um mês, sinais clássicos do câncer colorretal, 40% dos que perceberam sangue nas fezes não buscaram ajuda médica de imediato. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (20), ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. O estudo mostrou que 80% dos entrevistados identificam corretamente a gravidade dos sintomas. Esse alto nível de conhecimento se mantém mesmo entre pessoas com histórico da doença na família. O cenário se torna mais alarmante diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer.
A estimativa é de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Com isso, a doença se tornará o segundo tipo de câncer com maior incidência no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A pesquisa também traçou um perfil de quem busca ajuda rapidamente. A procura imediata por um diagnóstico é maior entre pessoas com melhores condições financeiras (86%), brasileiros com mais de 60 anos (72%) e moradores da região Sudeste (72%). As mulheres também se mostraram mais propensas a procurar um médico sem demora em comparação com os homens. O câncer colorretal abrange tumores que se iniciam no cólon ou no reto. Segundo a médica Leana Wen, a recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA, desde 2021, é que o rastreamento comece aos 45 anos, e não mais aos 50.
A decisão de continuar os exames entre 76 e 85 anos deve ser individualizada, em consulta com um médico. Existem diferentes métodos para o rastreamento. A colonoscopia é considerada o padrão-ouro, recomendada a cada 10 anos, pois permite não apenas a visualização do intestino, mas também a remoção de pólipos pré-cancerosos. Outras opções incluem a sigmoidoscopia e a colonografia por tomografia computadorizada (colonoscopia virtual), realizadas a cada cinco anos. Além dos exames de imagem, existem testes de fezes que buscam por sangue oculto ou DNA tumoral, feitos a cada um ou três anos. Em 2024, a FDA, agência reguladora dos EUA, aprovou um novo exame de sangue com precisão comparável à dos testes de fezes, surgindo como uma alternativa para quem reluta em fazer os outros procedimentos. Segundo a Sociedade Americana do Câncer, um em cada três adultos que deveriam ser testados para a doença nunca realizou qualquer tipo de exame de rastreamento.