Ex-governador de Goiás criticou a postura do senador em meio a atritos no PL e o uso de uma carta do pai, Jair Bolsonaro, para contornar a crise
O pré-candidato à Presidência e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que sua liderança política enfrenta sérias dificuldades. "Eu acho que a candidatura do [Flávio] Bolsonaro está extremamente fragilizada, essa é a grande realidade", declarou Caiado em entrevista nesta segunda-feira (13). A crítica do ex-governador foi direcionada à maneira como o senador lidou com uma crise interna no PL, recorrendo a uma carta escrita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Liderança você não herda, não existe uma herança, você constrói a liderança. Uma situação que a cada crise você não tem como ficar trazendo uma carta do pai para respaldá-lo", pontuou Caiado. Na carta, o ex-presidente pedia para "deixar as diferenças de lado" e apoiar a candidatura do filho. Para Caiado, a atitude é insuficiente.
"Ele que deveria enfrentar as crises que está vivendo e explica-las à sociedade, não querer tapar o Sol com peneira", concluiu. O episódio ocorre após um desentendimento público entre Flávio e sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A tensão começou em dezembro do ano passado, mas foi exposta por Michelle em vídeos publicados nas redes sociais no mês passado. O atrito teve como estopim um acordo que o PL, por meio do deputado André Fernandes (PL-CE), articulava para apoiar uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Michelle se declarou contra a aliança, afirmando que "não abriria mão de seus valores". Segundo a ex-primeira-dama, a reação de Flávio foi hostil. "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone", afirmou.
Michelle relatou que o enteado disse que seria melhor ela ficar fora das decisões partidárias, pois "havia chegado ontem e não entendia nada de política". Na ocasião, Flávio Bolsonaro rebateu as acusações publicamente, pedindo desculpas caso a tenha ofendido. "Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas", escreveu o senador, manifestando respeito pela ex-primeira-dama. Poucos dias após o conflito se tornar público, Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Ela justificou a decisão pela necessidade de se dedicar exclusivamente aos cuidados do ex-presidente.