China testa míssil balístico no Pacífico e provoca críticas de vizinhos

Marinha chinesa afirma que lançamento foi parte de treinamento anual, mas Nova Zelândia e Austrália veem ameaça à estabilidade regional.

A China realizou um raro teste de um míssil balístico lançado por submarino no Oceano Pacífico nesta segunda-feira (6), uma ação que gerou críticas imediatas da Nova Zelândia e da Austrália. Os países afirmaram que a manobra ameaça a paz e a estabilidade na região. Em um comunicado oficial, o capitão Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP), informou que um submarino "lançou um míssil estratégico carregando uma ogiva falsa em direção ao alto mar relevante do Oceano Pacífico, que pousou precisamente dentro das águas designadas". Wang Xuemeng defendeu que o lançamento fez parte da rotina do cronograma anual de treinamento militar da China e que as "nações envolvidas" foram informadas com antecedência. "A operação estava em conformidade com o direito e as práticas internacionais, sem visar nenhum país ou objetivo específico", afirmou o capitão. Apesar da justificativa, a reação foi dura.

O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, classificou o episódio como "um desdobramento indesejável e preocupante". Ele apontou que o míssil foi disparado em águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, área estabelecida em 1986 pelo Tratado de Rarotonga, do qual a China é signatária de protocolos que proíbem testes nucleares. "Nós, assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como local de testes para capacidades de mísseis", declarou Peters. O ministro acrescentou que o teste trouxe à tona lembranças de 2024, quando o ELP realizou um lançamento similar na região, e alertou que tais ações não devem se tornar rotineiras. Pequim não informou qual tipo de míssil foi utilizado. A Marinha do ELP opera dois modelos de mísseis balísticos lançados de submarinos: o JL-2 e o JL-3.

Segundo especialistas em mísseis, o JL-3 possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa chinesa. A frota do país opera seis submarinos da classe Jin (Tipo 094), seus principais lançadores. Embora a China raramente divulgue seus testes de mísseis, o Projeto de Defesa contra Mísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) indica que o JL-3 foi testado pela primeira vez em 2018 e novamente um ano depois. Testes com mísseis balísticos, no entanto, são realizados por outras potências nucleares. A Marinha dos EUA, por exemplo, realizou quatro testes de seu míssil Trident em setembro passado, enquanto Índia e Rússia conduziram testes semelhantes em dezembro e outubro, respectivamente.

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