De casarões centenários a teatros e mercados, edificações históricas reúnem relatos sobre ruídos, vultos e lendas urbanas que atravessam gerações
Construções históricas espalhadas por diversas regiões do Brasil carregam memórias arquitetônicas e, ao mesmo tempo, reúnem relatos populares sobre aparições, ruídos e acontecimentos inexplicáveis. Oito endereços no país destacam-se por lendas urbanas que atravessam gerações, envolvendo desde casarões centenários até teatros, mercados e cemitérios. No Paraná, a Mansão Vila Hilda, localizada em Ponta Grossa, é um marco erguido em 1926 pelo industrial Alberto Thielen com traços da arquitetura francesa e art nouveau. Tombada como Patrimônio Cultural do Paraná em 1990, a construção hoje abriga a Fundação Municipal de Cultura. Em 1999, o local ganhou repercussão quando uma foto da fachada em uma lista telefônica revelou o que muitos apontaram como a silhueta de um menino em um vitral.
Em 2020, os investigadores paranormais João Toccheto e Rosa Maria Jacques relataram à TV Globo contato com antigos donos já falecidos, enquanto servidores relatam desconforto no prédio. No Rio de Janeiro, o Castelinho do Flamengo, erguido no início do século XX e projetado por Gino Coppedè, abriga o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho. Adquirido em 1932 pelo imigrante português Avelino Fernandes, o casarão abriga a lenda de sua filha, Maria de Lourdes Feu Fernandes, que teria sido maltratada por um tutor após a morte dos pais e tirado a própria vida na torre principal. Ruídos e vultos são frequentemente mencionados por frequentadores do local. Em Manaus, o Teatro Amazonas, inaugurado em dezembro de 1896, reúne relatos como o do Homem de Preto, visto no palco no dia do sepultamento do ex-governador Amazonino Mendes por uma bombeira, além de sons de piano tocando sozinho e risadas vindas de camarins vazios.
Na Bahia, o Mercado Modelo, em Salvador, teve seu subsolo apontado pelos investigadores João Toccheto e Rosa Maria Jacques como um dos pontos de maior atividade paranormal do país, com relatos de correntes e portas batendo. Também na capital baiana, a Casa das Sete Mortes, casarão do século XVII tombado pelo Iphan e pertencente ao governo estadual, traz no histórico o assassinato não solucionado do padre Manuel de Almeida Pereira e de três trabalhadores a facadas, além de queixas de ruídos e passos. A lista reúne ainda o Cemitério Santa Izabel, em Belém, inaugurado na década de 1870, onde circula a história da Mulher do Táxi ligada a Josephina Conte, falecida aos 16 anos em 1931. Em Goiânia, o Centro Cultural Martim Cererê, batizado pela obra de Cassiano Ricardo, ocupa antigos reservatórios de água cercados por narrativas populares sobre uso das estruturas durante o regime militar, relatos tratados sem comprovação histórica. Por fim, em Guaiúba, no Ceará, o Casarão da Água Verde, erguido no século XIX no alto de um morro, acumula narrativas de choro de crianças, lamentos e suposta existência de um antigo cemitério sob a vegetação densa.