Ministro do STF, no entanto, proibiu expressamente qualquer ato investigativo contra o colega André Mendonça, que já é alvo de outro procedimento na presidência da Corte
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17/09) que a Polícia Federal (PF) inicie novas apurações sobre possíveis crimes em operações do Banco Master com empresas concessionárias de cemitérios em São Paulo. A decisão ocorre três dias após Dino levantar suspeitas sobre a conduta do ministro André Mendonça no mesmo caso. Apesar de ordenar as novas diligências, o ministro proibiu que a investigação da PF alcance seu colega de Corte. Em seu despacho, Dino ressaltou que está "vedado qualquer ato investigativo" contra Mendonça, uma vez que já existe um pedido de investigação sobre ele sob a responsabilidade da presidência do STF. As novas apurações foram motivadas por informações sobre os vínculos do Banco Master com uma segunda concessionária, a Cemitérios e Crematórios SP, ligada ao Grupo Maya. Segundo os dados citados por Dino, créditos relacionados a esta empresa foram usados como garantia em dois financiamentos com o banco, totalizando R$ 78 milhões.
Os contratos teriam dado ao Master, como credor, poderes sobre decisões societárias da concessionária. As acionistas da empresa deveriam informar o banco sobre convocações de assembleias e, em deliberações que pudessem afetar os interesses do credor, o Master poderia orientar o sentido do voto. Dino destaca que o grupo empresarial de Daniel Vorcaro, do Banco Master, mantinha esses interesses na concessionária quando o banqueiro se encontrou com o ministro André Mendonça. A empresa poderia ser diretamente afetada pelo julgamento do caso no Supremo. O ministro apontou ainda que, antes do encontro, os créditos passaram por uma série de operações financeiras, chegando a uma holding do grupo nas Ilhas Cayman e, posteriormente, utilizados em uma negociação com o BRB. Para Dino, isso "reforça os indícios da existência de vínculos entre o conglomerado econômico associado ao Banco Master e outra concessionária de cemitério alcançada pelos efeitos desta ADPF 1196".
Até então, as suspeitas se concentravam na relação do banco com a concessionária Cortel, na qual Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi conselheiro. Com as novas informações, Dino afirmou haver um "adensamento de indícios de crimes" e determinou o envio do material ao diretor-geral da PF. A investigação requisitada por Dino fica restrita às relações entre o Banco Master, as concessionárias e eventuais agentes dos poderes Executivo e Legislativo. Qualquer apuração envolvendo o ministro Mendonça dependerá de uma decisão da Presidência do Supremo. Em nota, a SP Regula informou que relações financeiras das concessionárias com bancos privados não configuram, por si só, uma irregularidade. A Procuradoria-Geral do Município de São Paulo (PGM) comunicou que foi notificada e está analisando a situação.