Eduardo Bolsonaro orientou gestão de dinheiro para filme nos EUA, aponta PF

Investigação sobre o filme "Dark Horse", que narra a história de Jair Bolsonaro, teve sigilo derrubado pelo STF e aponta suposto envolvimento do deputado

Uma investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o deputado Eduardo Bolsonaro foi o responsável por orientar como gerir nos Estados Unidos os recursos destinados ao filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A obra receberia US$ 24 milhões (cerca de R$ 122 milhões) de Daniel Vorcaro, mas os repasses não teriam sido totalmente concluídos. As informações fazem parte do inquérito do caso Master, cujo sigilo foi derrubado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido do presidente do Supremo, Edson Fachin. O relatório que menciona a relação de Eduardo com o filme foi localizado pelo jornal Valor. O inquérito específico sobre o "Dark Horse" permanece em sigilo. Segundo a PF, o fundo Havengate, sediado no Texas (EUA) e administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo, ficou inativo por quatro anos. A situação teria mudado em 13 de fevereiro de 2025, quando recebeu uma primeira remessa de US$ 2 milhões da empresa Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.

Os recursos seriam para financiar a produção do filme. Mineiro, que teve um acordo de delação homologado por Mendonça, detalhou os repasses à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele afirmou que, a mando de Daniel Vorcaro e a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram realizados sete repasses ao fundo Havengate entre janeiro e setembro do ano passado, totalizando US$ 12,333 milhões (R$ 62,8 milhões na cotação da época). Segundo o delator, o plano original previa dez repasses, mas apenas sete foram efetivados. A versão de Mineiro diverge da apresentada por Flávio Bolsonaro, que afirma que o último pagamento ocorreu em maio de 2025, e não em setembro. A equipe do senador não comentou o caso quando contatada pelo portal Terra. Documentos do inquérito, segundo a PGR, indicam que Eduardo Bolsonaro teria colocado a estrutura do fundo "para operar o esquema".

Uma captura de tela de uma conversa atribuída ao deputado foi anexada aos autos. Na mensagem, Eduardo colocaria Altieris Chaves Santana, diretor da Havengate, "à disposição para operar o esquema". "O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo", diz um trecho da mensagem atribuída a Eduardo Bolsonaro no inquérito. "O Altieris Santana [um dos sócios do Havangate] está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja", continua o texto. O portal Terra informou que tenta contato com a defesa de Eduardo Bolsonaro.

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