Documento foi concedido pelo governo de Donald Trump em processo considerado mais rápido que o habitual para a maioria dos imigrantes
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro obteve o green card, documento que lhe permite viver e trabalhar por tempo indeterminado nos Estados Unidos. A concessão, anunciada nesta segunda-feira, foi realizada pelo governo de Donald Trump e chama a atenção pela rapidez, em um processo que para a maioria dos imigrantes pode levar anos. O documento encerra a necessidade de autorizações especiais para que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro possa trabalhar ou estudar no país. A agilidade no caso de Eduardo contrasta com um sistema migratório conhecido pela burocracia e por longas filas de espera, conforme apontam especialistas em imigração ouvidos pelo GLOBO. A legislação americana oferece diferentes caminhos para a obtenção da residência permanente, como patrocínio familiar, vistos baseados em emprego, investimentos ou categorias especiais para pessoas com habilidades extraordinárias.
Segundo os Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), alguns processos são concluídos em um ano, mas outros podem ultrapassar uma década. Os detalhes sobre a categoria migratória utilizada por Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA desde fevereiro do ano passado, não foram divulgados. De acordo com o jornalista Paulo Figueiredo, um aliado da família, o pedido do green card foi feito há mais de um ano e aprovado neste mês, após a comprovação do cumprimento dos requisitos. Eduardo entrou nos Estados Unidos com um visto de turista. Na época, ele alegava supostas perseguições por parte do Judiciário brasileiro e considerava pedir asilo político ao governo Trump para estender sua permanência legal no país.
Desde que se mudou para os EUA, o ex-parlamentar teve seu mandato de deputado cassado por faltas e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal. No mês passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por coagir magistrados e articular sanções junto ao governo americano contra o Judiciário brasileiro, em uma ação relacionada ao julgamento que condenou seu pai, Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão. A concessão do green card a Eduardo ocorre em um momento de endurecimento das políticas migratórias do segundo governo Trump. Recentemente, Washington anunciou restrições ao "adjustment of status", um procedimento que permitia a estrangeiros solicitar a residência sem sair dos EUA, afetando principalmente imigrantes que se casam com cidadãos americanos ou são patrocinados por filhos.