“Elas morreram abraçadas”, diz mãe de vítima de acidente em Petrópolis

Ônibus que tombou na BR-040, matando dez pessoas, fazia transporte clandestino, segundo a ANTT. Sobreviventes relatam que veículo estava em alta velocidade.

Uma viagem de turismo que partiu de Minas Gerais com destino ao Rio de Janeiro terminou em tragédia neste domingo, quando o ônibus que transportava 56 passageiros tombou na BR-040, em Petrópolis, resultando na morte de dez pessoas. Entre as vítimas fatais estavam Lavínia, de 7 anos, e sua tia, Priscila. Elas morreram abraçadas, segundo o relato de Maria Luiza Pereira, mãe da menina e irmã de Priscila. Maria Luiza, que trabalha como diarista em Belo Horizonte, estava no veículo com seus quatro filhos. “A minha filha chegou a gritar me pedindo ajuda, mas eu não tinha como, e disse para ela abraçar minha irmã”, contou, emocionada, na porta do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. Sobreviventes relataram que o motorista dirigia em alta velocidade. “Eu não consegui dormir. O ônibus corria muito, e o guia que estava com a gente dizia que era normal.

Ele falava que chegaríamos a tempo de ver o pôr do sol”, completou Maria Luiza. O acidente ocorreu por volta das 4h30 no km 91 da rodovia. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo realizava transporte clandestino. O ônibus está registrado em nome da Dinna Elles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda, mas nenhuma das duas empresas é habilitada pela agência. A empresa Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem, também não foi encontrada nos registros da ANTT. A Polícia Civil informou que a 105ª DP (Petrópolis) investiga as causas do acidente. Passageiros afirmaram que, desde o início da viagem, notaram problemas, como cintos de segurança que não funcionavam. “Quando chegamos em Petrópolis, as pessoas começaram a gritar.

Estava dormindo, abracei meu noivo e disse que iríamos morrer. O ônibus começou a balançar muito”, relatou uma passageira ao g1. Ao todo, 25 pessoas ficaram feridas. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, e para o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis. Na manhã de segunda-feira, oito corpos foram liberados pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Petrópolis para traslado a Minas Gerais. Uma das vítimas foi Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, que estava grávida de quatro meses. Em nota, a Estrela Guia Turismo lamentou o ocorrido, prestou solidariedade às vítimas e afirmou que está colaborando com as investigações. Questionado sobre a falta de autorização da ANTT, o advogado da empresa, Aroldo Leão Braz, disse que as manifestações serão feitas apenas por vias administrativa ou judicial.

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