Observações do telescópio James Webb em planeta a 80 anos-luz da Terra indicam que gigantes gasosos podem sobreviver e migrar para perto de estrelas mortas.
Novas observações de um exoplaneta gigante podem ter revelado o destino de Júpiter e Saturno quando o Sol chegar ao fim de sua vida, daqui a cerca de 5 bilhões de anos. O estudo, focado no planeta WD 1856 b, localizado a 80 anos-luz da Terra, oferece pistas de como um planeta pode sobreviver à morte de sua estrela e passar a orbitar seus restos de muito perto. Publicado na revista Nature, o estudo detalha como o planeta, que tem o tamanho de Júpiter, completa uma volta ao redor de uma estrela anã branca a cada 34 horas. A estrela é o núcleo denso e morto do que um dia foi um astro como o Sol. “Este é um dos sistemas planetários mais bizarros que conhecemos”, afirmou o Dr. Christopher O'Connor, coautor do estudo e pesquisador da Universidade Northwestern. Quando uma estrela como o Sol esgota seu combustível, ela se expande para mais de 100 vezes seu tamanho original, tornando-se uma gigante vermelha, antes de colapsar em uma anã branca. O planeta WD 1856 b está 50 vezes mais perto de sua estrela do que a Terra está do Sol, o que intrigou os astrônomos sobre como ele sobreviveu a esse processo violento. Para desvendar o mistério, a equipe usou o Telescópio Espacial James Webb para analisar a atmosfera, massa e temperatura do exoplaneta. Segundo a coautora Victoria Boehm, da Universidade Cornell, a observação foi um desafio, pois o trânsito do planeta (quando ele passa na frente da estrela) dura apenas 8 minutos.
“Capturar luz suficiente para ver o espectro de WD 1856 b, e ao mesmo tempo fazer isso rápido o bastante para não perder o trânsito, é algo que só o Webb consegue fazer”, disse. Os dados revelaram que o planeta tem entre quatro e onze vezes a massa de Júpiter e uma temperatura de aproximadamente 127 graus Celsius, muito mais quente do que o esperado apenas pelo aquecimento da estrela morta. Isso sugere que o planeta aqueceu durante uma migração para o interior do sistema, após a morte da estrela. Os pesquisadores trabalham com duas hipóteses. A primeira, chamada de “modelo de engolfamento”, sugere que o planeta foi engolido pela estrela em expansão e sobreviveu. A segunda, o “modelo de interação gravitacional”, propõe que o planeta escapou da fase de gigante vermelha e foi empurrado para uma órbita mais próxima pela força gravitacional de outros corpos celestes. As evidências do James Webb, no entanto, favorecem a segunda teoria. Os dados indicam que o aquecimento do planeta ocorreu cerca de 1 bilhão de anos atrás, muito depois da morte da estrela. Além disso, o telescópio detectou metano na atmosfera do planeta. Segundo o autor principal, Dr.
Ryan MacDonald, da Universidade de St. Andrews, a abundância de metano seria menor se o planeta tivesse sido engolido pela estrela. O sistema WD 1856 funciona como um laboratório para o futuro do nosso próprio Sistema Solar. Em 5 bilhões de anos, o Sol se tornará uma gigante vermelha, engolindo Mercúrio e Vênus. O destino da Terra é incerto, mas planetas gigantes como Júpiter e Saturno devem sobreviver. “Nossos resultados mostram que a morte estelar não é o fim. Alguns planetas experimentam um futuro vibrante e cheio de vida após a morte de sua estrela”, afirmou MacDonald. Os gigantes gasosos do nosso sistema podem, assim como WD 1856 b, migrar para órbitas mais próximas do Sol morto.