Ala moderada de campanha sugeriu postura cautelosa após determinação do STF para retenção de passaportes do senador
O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência pelo PL, recebeu conselhos de aliados para não deixar o país, embora tenha afirmado que corria risco de ser preso. O parlamentar ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, situação inédita para ele em 24 anos. Atualmente, o senador responde a dois inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF). A recomendação para permanecer no Brasil ocorreu na tarde de segunda-feira (26), durante reunião com as principais lideranças de sua campanha no escritório de um de seus advogados, localizado no Lago Sul, em Brasília. O encontro marcou a última conversa de Flávio com a maioria dos integrantes do grupo. Integrantes da ala moderada da campanha avaliaram que uma eventual prisão do senador logo após o pleito traria impactos negativos para a imagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com base nesse cenário, o grupo acreditava que nenhuma medida extrema seria aplicada contra ele.
Os interlocutores também sugeriram postura moderada e defenderam que ele não solicitasse a anulação do resultado eleitoral, orientando a apresentação de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por abuso de poder econômico. Flávio manifestou irritação diante da ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes. Durante o diálogo com a equipe, foi orientado a gravar um vídeo para comunicar que havia recebido a intimação da PF logo após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por condenação decorrente de tentativa de golpe de Estado. No pronunciamento divulgado nas redes sociais na tarde de segunda-feira, Flávio declarou que a PF estava na porta da residência de seu pai no momento de sua saída, quando foi intimado a entregar os documentos e notificado da proibição de deixar o território nacional. Ele também anunciou que focará esforços na articulação da oposição, destacando o resultado eleitoral do partido no Legislativo. Apesar do resultado na disputa presidencial, o PL ampliou sua presença política. A legenda conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, terá bancada de 28 senadores a partir de 2027 e assumirá a chefia do Executivo em seis estados, registrando a maior quantidade de governadores entre as siglas partidárias.
Com a retenção de passaportes e a restrição de locomoção para fora do país, o senador acompanha os desdobramentos de duas apurações na PF. Uma das frentes examina o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com verbas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os agentes verificam o destino dos valores e se houve uso de montantes para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos. O outro inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. As apurações analisam o acesso a uma conta de empresa vinculada ao advogado e o pagamento de viagens. O senador nega qualquer irregularidade e declara manter unicamente relação de amizade com Willer, que igualmente rebate as suspeitas.