Líder supremo foi morto em fevereiro, em ataque que deu início a uma guerra entre o Irã e a aliança de Estados Unidos e Israel.
Dezenas de milhares de iranianos se reuniram em um complexo de orações em Teerã, neste sábado (4), para o funeral do aiatolá Ali Khamenei. O líder governou a República Islâmica por 37 anos e foi morto em fevereiro, em um ataque que marcou o início de uma guerra entre o Irã e uma aliança formada por Estados Unidos e Israel. Vestidos de preto e com bandeiras do Irã, os presentes carregavam fotos de Khamenei e de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei. O corpo do líder foi levado a um palco ao ar livre para visitação pública, um dia após uma cerimônia restrita a autoridades iranianas e estrangeiras. A multidão no pátio da Grande Mosalla do Imam Khomeini entoava cânticos e se lamentava, em uma demonstração de fervor revolucionário. Segundo a mídia estatal iraniana, o ataque israelense que matou Khamenei também vitimou sua filha, neto, nora e genro. Entre os cinco caixões expostos, um era de tamanho menor, destinado à neta de 14 meses do aiatolá.
As instituições militares e de segurança do Irã prometeram vingança, e gritos de "Morte aos Estados Unidos" foram ouvidos no local, conforme a emissora estatal Seda va Sima. O funeral acontece em um momento crítico para o país. A guerra, iniciada com a morte de Khamenei em 28 de fevereiro, envolveu milhares de ataques aéreos dos EUA e de Israel contra alvos militares e de infraestrutura no Irã. De acordo com dados estatais, mais de 3.000 pessoas morreram no país. O Irã reagiu com ataques a bases americanas, disparos de mísseis contra Israel e ações contra alvos energéticos em países do Golfo, além de bloquear o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Pelo menos 13 militares americanos foram mortos. O conflito também causou milhares de mortes em outras partes da região, principalmente no Líbano, onde Israel combate o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Um frágil cessar-fogo entre EUA e Irã foi alcançado no início de abril, com um acordo inicial para interromper as hostilidades assinado em junho. Mojtaba Khamenei, filho do líder e apontado como sucessor, não foi visto em público desde que ficou ferido no mesmo ataque que matou seu pai. Analistas apontam que, apesar da demonstração pública de unidade, o apoio popular à República Islâmica estaria fragilizado. Observadores também afirmam que a guerra, que eliminou oficiais de alta patente, fortaleceu líderes mais extremistas no país, que se mostram mais inclinados a ataques diretos contra seus adversários do que o falecido Khamenei. O funeral foi adiado devido aos riscos durante a guerra. Após as cerimônias em Teerã, o corpo será levado para as cidades de Qom, no Irã, e para Najaf e Karbala, no Iraque. O sepultamento está previsto para a próxima quinta-feira (9), em Mashhad, perto do túmulo do Imã Reza, uma figura de grande devoção no Irã.