Repasses com valor reajustado de R$ 691 serão concluídos até quarta-feira (21), antes do segundo turno; campanhas debatem prazo de transição do benefício
O governo federal antecipou o calendário de pagamentos do Bolsa Família referente ao mês de outubro, com parcelas reajustadas de R$ 600 para R$ 691. Com o adiantamento, todas as transferências serão concluídas até quarta-feira (21), dias antes da realização do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). Originalmente, parte dos beneficiários receberia os valores na semana seguinte à votação, de acordo com o dígito final do Número de Identificação Social (NIS). A alteração unificou os repasses para os beneficiários com NIS final de 3 a 0 no dia 21 de outubro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, a medida tem caráter preventivo em âmbito nacional para minimizar os reflexos de eventos climáticos ligados ao El Niño. A pasta informou que, entre agosto e setembro de 2026, houve 518 reconhecimentos federais de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública, frente a 253 no mesmo período de 2025. O ministério alertou que o último trimestre do ano projeta chuvas abaixo da média no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e acima da média no Sul e partes do Sudeste e Nordeste, o que pode atingir a produção agrícola, o abastecimento e os rendimentos familiares.
A regra de unificação também será aplicada nos meses de novembro e dezembro. No cenário eleitoral, o programa social pautou anúncios de campanha. A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) propôs estender de 12 para 24 meses o período da regra de transição concedido às famílias que conquistarem emprego formal ou abrirem negócio próprio. A coordenadora do núcleo econômico da chapa do PL, Daniella Marques, informou que o plano visa proteger os cadastrados, assegurando também um retorno automático ao benefício se houver perda do trabalho ou dos rendimentos. Em declarações públicas, Flávio Bolsonaro rebateu críticas de adversários e afirmou que a proposta visa incentivar os segurados a buscar colocação com carteira assinada ou empreender, sem receio de perder de imediato a assistência financeira. O candidato declarou que a volta ao programa ocorrerá no mesmo dia em que for constatada a perda de renda. Por outro lado, o senador Camilo Santana (PT-CE), da coordenação política da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou a medida sugerida pelo adversário e disse que a iniciativa sinaliza corte de gastos de R$ 200 bilhões para beneficiar grupos específicos em detrimento da população.
O economista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ecio Costa, avaliou que o prazo ampliado de 24 meses auxilia a alocação de profissionais no mercado de trabalho. De acordo com o especialista, o suporte a famílias de baixa renda mesmo quando empregadas é relevante em um cenário de taxa mínima histórica de desemprego e de escassez de mão de obra em diversos setores produtivos. Pelas normas vigentes do Ministério do Desenvolvimento Social, quem ultrapassa o limite de R$ 218 por pessoa pode permanecer na chamada regra de proteção por até 12 meses recebendo metade da parcela, desde que a renda domiciliar per capita não supere R$ 706. O prazo de 24 meses esteve em vigor para inclusões feitas até junho de 2025 com teto de R$ 759. Atualmente, o prazo para solicitar o retorno sem fila em caso de perda de renda é de até 36 meses após a saída. Pelo cronograma estabelecido para outubro, os beneficiários com NIS final 1 recebem no dia 19; final 2, no dia 20; e os finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0 têm a liberação unificada em 21 de outubro.