Diplomatas acompanharão sessão no USTR, mas ordem é não interferir; Planalto busca conhecer argumentos sem alterar estratégia de negociação
O governo brasileiro decidiu de última hora enviar representantes da Embaixada do Brasil em Washington para uma audiência pública no Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR). O encontro discute as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A ordem do Palácio do Planalto é para que os diplomatas apenas acompanhem a sessão na condição de observadores, sem realizar nenhuma fala ou interferência. A audiência começou na segunda-feira e prossegue na terça, dia em que está prevista a participação do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro.
Além do senador, associações de setores atingidos pelas sobretaxas, como a indústria e o agronegócio, também se inscreveram para apresentar seus argumentos na audiência. Segundo integrantes do governo, a presença dos diplomatas visa permitir que o Planalto tome conhecimento dos pontos levantados durante o encontro. A medida, contudo, não representa uma mudança na estratégia de negociação que o Brasil já conduz com as autoridades americanas. Uma reunião negociadora entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e o USTR está prevista para ocorrer ainda nesta semana.
Na semana passada, o ministro Márcio Elias Rosa entregou aos americanos uma proposta para solucionar seis pontos considerados prioritários nas conversas entre os dois países. A avaliação no governo é que as negociações com os Estados Unidos, que se arrastam há cerca de um ano, não avançaram por causa de motivações políticas de uma ala da Casa Branca. De acordo com fontes governamentais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem acompanhado as tratativas pessoalmente e orientou sua equipe a manter o esforço por uma solução negociada.