Bolsa foi impulsionada pela Vale, enquanto investidores reagiram ao reajuste do Bolsa Família, à nova pesquisa eleitoral e ao corte da Selic para 13,75%
O Ibovespa fechou em alta de 0,24% nesta quinta-feira (17), atingindo 185.992,03 pontos. O resultado foi garantido principalmente pelo desempenho positivo das ações da Vale, mesmo com o mercado reagindo de forma negativa ao anúncio de reajuste do Bolsa Família e seus possíveis impactos nas contas públicas e no cenário eleitoral. O volume financeiro do pregão totalizou R$ 24,1 bilhões antes dos ajustes finais. Durante o dia, o índice brasileiro chegou a registrar máxima de 186.740,72 pontos e mínima de 183.242,37 pontos. O movimento acompanhou os ganhos em Wall Street e a queda nos preços do petróleo no mercado internacional. No mercado de câmbio, o dólar encerrou o dia com uma leve baixa de 0,25%, cotado a R$ 5,1392.
A moeda americana chegou a subir mais cedo, refletindo a reação negativa dos investidores ao anúncio do governo sobre o Bolsa Família, que terá um impacto fiscal estimado em R$ 27,8 bilhões entre este ano e o próximo. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de aproximadamente 15% no Bolsa Família, com o piso do benefício subindo de R$ 600 para R$ 691 por família a partir de outubro. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo da medida será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. A notícia gerou uma reação imediata no mercado, com o dólar se fortalecendo contra o real e as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de longo prazo subindo, em um cenário de preocupação com o equilíbrio das contas públicas. O cenário eleitoral também esteve no foco dos investidores. Uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula.
Embora a diferença configure empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto percentual, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem sido associado pelo mercado a uma alta do Ibovespa e queda do dólar. Outro fator no radar foi a decisão do Banco Central, na noite de quarta-feira (16), de cortar a taxa Selic em 25 pontos-base, para 13,75% ao ano. A autoridade monetária deixou em aberto os próximos passos da política monetária. A decisão veio após o Federal Reserve, banco central americano, elevar sua taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4,00%.