PF analisa movimentações financeiras de US$ 12,3 milhões e contratos da produtora responsável por cinebiografia
Mesmo com o fim de seu mandato como senador após ser derrotado nas urnas por uma diferença superior a 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro deve continuar sob a mira do Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações sobre o financiamento de "Dark Horse", cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A avaliação é de integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) ouvidos reservadamente. O entendimento atual do STF determina que a prerrogativa de foro se mantém para autoridades em casos de crimes cometidos durante o mandato e em função do cargo, ainda que a pessoa investigada não esteja mais na função. A apuração sobre a obra audiovisual é um desdobramento das investigações do caso Banco Master e atinge também o deputado federal reeleito Mário Frias (PL-SP), que segue na Câmara por mais quatro anos, e o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A investigação relacionada à produção cinematográfica foi aberta em julho pelo ministro André Mendonça para verificar indícios de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais.
Uma das hipóteses apuradas pela Polícia Federal (PF) é se os repasses efetuados aos Estados Unidos pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, teriam sido destinados a cobrir gastos do autoexílio de Eduardo no exterior, onde reside desde fevereiro do ano passado. A Polícia Federal prevê concluir nos próximos meses uma perícia contábil e financeira nos contratos e custos da Go Up Entertainment, produtora do filme. A empresa entregou aos peritos mais de 20 mil páginas contendo contratos de câmbio, notas fiscais e recibos de despesas operacionais. Os policiais buscam checar a compatibilidade entre as informações financeiras de um laudo da própria produtora e as movimentações de US$ 12,3 milhões feitas pelo operador Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, ao fundo Havengate, a pedido de Vorcaro. O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo que também é investigado pelo STF.
A estrutura financeira estava sem movimentações até receber a primeira transferência de U$ 2 milhões em fevereiro de 2025, período coincidente com a mudança de Eduardo para os Estados Unidos. A PF apura se existe relação contábil direta entre as sete remessas efetuadas pela Entre Investimentos e os valores recebidos no Brasil pela Go Up. Os peritos buscam confirmar se os gastos declarados correspondem aos serviços executados no país, além de apurar a existência de simulações contratuais, subfaturamento, superfaturamento ou triangulação de recursos. Levantamento apresentado pela produtora apontou que 72% das despesas foram realizadas nos Estados Unidos, apesar de as filmagens terem ocorrido em território brasileiro. Flávio Bolsonaro também responde a outra investigação no Supremo Tribunal Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.