Decisão no divórcio de Chey Tae-won, presidente do SK Group, considerou a expressiva valorização de sua fortuna com o boom da inteligência artificial
O Tribunal Superior de Seul, na Coreia do Sul, determinou que o bilionário Chey Tae-won, presidente do conglomerado SK Group, pague 944 bilhões de wons (cerca de R$ 3,27 bilhões) à sua ex-esposa, Roh Soh-yeong. A decisão, divulgada nesta sexta-feira (24), representa um novo capítulo no caso conhecido no país como o "divórcio do século". A Justiça elevou de forma significativa o valor que havia sido definido em primeira instância. A nova sentença levou em consideração a forte valorização do patrimônio de Chey, impulsionada pelo crescimento global do setor de inteligência artificial. Chey é também presidente da SK Hynix, uma das principais fornecedoras mundiais de chips de memória para IA.
Segundo o tribunal, o crescimento das empresas do grupo não foi resultado apenas da gestão do executivo. A decisão reconheceu a contribuição de Roh Soh-yeong ao longo dos 34 anos de casamento, por meio da administração da família, da criação dos três filhos do casal e de atividades ligadas ao conglomerado. A indenização equivale a aproximadamente 12% da fortuna de Chey, estimada em US$ 5,6 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. A disputa judicial começou oficialmente em 2017, dois anos após o casamento começar a ruir publicamente. Em 2015, Chey revelou em uma carta à imprensa que mantinha um relacionamento extraconjugal e tinha um filho fora do casamento.
O caso também trouxe à tona o debate sobre as relações entre os grandes conglomerados familiares sul-coreanos, conhecidos como "chaebols", e o poder político. Roh é filha do ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Tae-woo, e a disputa judicial envolveu discussões sobre a origem da fortuna que impulsionou o crescimento inicial do grupo SK. Apesar do valor bilionário, analistas avaliam que a decisão não deve comprometer o controle de Chey sobre o conglomerado. O pagamento poderá ser feito em dinheiro, sem a necessidade de vender sua participação acionária na holding do grupo. Ainda cabe recurso da decisão à Suprema Corte do país.