Livro digital ou impresso: qual a melhor opção para o meio ambiente?

Escritora Tamara Klink gerou debate ao pedir que leitores evitem comprar seu livro, citando impactos ambientais. Estudo aponta que leitor digital só é mais vantajoso se a pessoa ler ao menos 15 obras durante a vida útil do aparelho.

A escritora e navegadora Tamara Klink iniciou uma polêmica ao pedir que seus leitores evitassem comprar seu livro impresso, "Bom Dia, Inverno", e priorizassem o compartilhamento. A justificativa, segundo ela, são os impactos ambientais associados à produção de livros. A sugestão de Klink levanta um debate recorrente: para o planeta, é melhor migrar para os livros digitais? O mercado editorial, que deve movimentar cerca de R$ 862 bilhões até 2030, oferece ambos os formatos, cada um com seus prós e contras. A produção de livros em papel, desde a invenção da prensa por Johannes Gutenberg há quase 600 anos, consumiu um volume significativo de árvores. A editora Penguin Random House UK, por exemplo, afirma usar papel 100% certificado pela ONG Forest Stewardship Council (FSC).

No entanto, a gerente de sustentabilidade da empresa, Courtney Ward-Hunting, reconhece que mais de 70% do impacto climático da editora vem das gráficas e usinas de celulose. Segundo a Penguin, cada livro seu gera, em média, 330 gramas de dióxido de carbono, o equivalente a uma xícara de café. Já um livro de bolso comum pode ter um impacto três vezes maior, emitindo cerca de um quilo de CO2, comparável a recarregar 122 smartphones. Com 2,2 bilhões de livros físicos vendidos anualmente no mundo, o impacto total é considerável. Por outro lado, os leitores digitais, como o Kindle da Amazon, evitam o uso de papel, poupando milhões de árvores anualmente. A produção de celulose, matéria-prima do papel, representou 6% do consumo total de energia industrial global em 2017, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Além disso, o download imediato elimina a necessidade de transporte físico. Contudo, os dispositivos eletrônicos também têm sua pegada ambiental. A fabricação consome muita água e energia, além de exigir a extração de minerais como cobre, lítio e cobalto para as baterias. Os aparelhos, compostos de plástico derivado de combustíveis fósseis, têm uma vida útil curta, de três a cinco anos, e seu descarte gera lixo eletrônico. Um estudo indica que um leitor digital só se torna ambientalmente mais vantajoso que o livro impresso se o usuário ler, no mínimo, 15 livros durante a vida útil do aparelho. Enquanto livros de papel podem durar décadas e ser compartilhados, os e-readers dependem de recargas elétricas constantes e de uma infraestrutura de armazenamento de dados que também consome energia.

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