Planalto consulta cúpula militar sobre nomes cotados, enquanto atual ministro José Múcio pede para deixar a pasta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a escolha de uma mulher civil para assumir o Ministério da Defesa. Caso a indicação se confirme, será a primeira vez na história em que uma mulher comandará as Forças Armadas no Brasil. O movimento busca fazer um aceno à diversidade na instituição militar, que passou a permitir o serviço inicial feminino desde o começo deste ano. A condução do processo ocorre com cautela junto aos militares. De acordo com informações de bastidores, interlocutores do governo apresentaram sugestões aos comandantes das Forças Armadas para evitar um nome que enfrente forte resistência interna. O atual chefe da pasta, ministro José Múcio Monteiro, já solicitou ao presidente para deixar o cargo. Múcio já havia manifestado a intenção anteriormente, mas permaneceu a pedido de Lula até a conclusão do ciclo.
A pasta da Defesa foi comandada apenas por homens desde a criação do ministério, em 1999. A eventual escolha feminina também visa aproximar a militância partidária de um setor que historicamente enfrentou distanciamento por setores da esquerda. Lula declarou em diferentes ocasiões a relevância de aplicar recursos no reaparelhamento militar diante do cenário de tensões geopolíticas. Durante a atual gestão, foi sancionado um projeto de lei complementar que garantiu uma exceção de R$ 30 bilhões voltada à aquisição de equipamentos militares até o ano de 2031, embora o presidente avalie a necessidade de aportes ainda maiores. Entre as opções cotadas, a preferida do ministro José Múcio Monteiro é a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo. Na visão de Múcio, Cinara reúne a experiência técnica de já atuar no órgão, possui trânsito consolidado com a cúpula militar e representa um ativo político relevante para o Palácio do Planalto. Outro nome avaliado internamente é o da presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, de 66 anos.
Primeira mulher a presidir a Corte militar, Maria Elizabeth já havia sido considerada para o Supremo Tribunal Federal, ocasião em que a idade pesou nas discussões. Ela atuou de forma firme em processos penais que envolveram militares e apoiou punições ao ex-presidente Jair Bolsonaro no plano golpista apurado pelas autoridades. O governo também analisa a ex-ministra Simone Tebet, reconhecida pela postura moderada e pela facilidade de diálogo com alas conservadoras. Nos bastidores, Tebet sinalizou que prefere não voltar ao Ministério do Planejamento. Antes de bater o martelo sobre a nomeação, Lula planeja se reunir com o Alto Comando das Forças Armadas. A principal incentivadora da presença de uma mulher na Defesa é a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja.