Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de Santa Catarina

Ocorrência foi detectada em granja com 6 mil aves no oeste catarinense; governo decreta emergência em quatro cidades e atua para preservar exportações

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a detecção de um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus situada no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. O local concentra aproximadamente 6 mil aves. Conforme informado pela pasta federal, nenhum animal apresentou sinais clínicos da enfermidade, porém testes laboratoriais constataram o material genético do vírus. A identificação do caso ocorreu no âmbito do programa de vigilância ativa da defesa agropecuária. O ministro da Agricultura, André de Paula, detalhou que a coleta inicial de amostras foi realizada em 21 de setembro. Em 14 de outubro, laudos preliminares apontaram a probabilidade de infecção, motivando a suspensão preventiva das atividades do estabelecimento e a condução de novos exames, cuja confirmação definitiva se deu em 18 de outubro.

Durante entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (19), em Brasília, o ministro ressaltou que o consumo de carne avícola não traz riscos para a população. O secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, explicou que o diagnóstico foi categorizado como positivo seguindo as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). As ações de contenção do foco sanitário já foram iniciadas na propriedade, onde as autoridades irão realizar o sacrifício sanitário das aves, além da completa limpeza e desinfecção do espaço. Os animais da granja não foram encaminhados para abate comercial ou consumo humano, e não houve movimentação de espécimes para fora do local após a identificação. As medidas de vigilância sanitária foram estendidas para outras 133 granjas localizadas no perímetro de monitoramento, que engloba Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Uma portaria declarando emergência sanitária nas quatro cidades deve ser oficializada nesta segunda-feira (19).

O período padrão de acompanhamento abrangerá dois intervalos de 21 dias, totalizando 42 dias, enquanto o prazo para o Brasil recuperar o status de livre da enfermidade é fixado em 90 dias segundo as normas em vigor. No cenário do comércio exterior, o governo iniciou comunicados com os parceiros comerciais para esclarecer as ações adotadas e mitigar eventuais impactos nas exportações avícolas. Rafael Requião, integrante da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do ministério, reforçou a intenção de dialogar com os mercados compradores para reduzir bloqueios e dar transparência às medidas de controle. Em posicionamento conjunto, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) afirmaram que acompanham o caso ao lado das esferas governamentais. As entidades pontuaram que a situação se restringe à sanidade animal, sem risco aos alimentos, manifestando confiança no sistema brasileiro de defesa agropecuária.

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