Medida que atendeu a pedido da PF foi classificada como erro político por ministros do governo e causou divergência no Supremo Tribunal Federal
A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acolher o pedido da Polícia Federal (PF) para cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL) gerou críticas internas entre ministros do STF e também entre ministros do presidente Lula (PT). Integrantes do governo e magistrados da Corte avaliaram que a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes colocaram gasolina em uma fogueira que já perdia força. A visão manifestada nos bastidores aponta que o momento ideal exigiria esperar alguns dias antes da aplicação de medidas restritivas.
Em conversa reservada, um ministro do STF declarou que não teria tomado essa decisão e afirmou que a situação vai gerar comparações com o caso de Lulinha, que está na Espanha. Do lado do Executivo, um ministro de Lula definiu o ato como um erro político por ter sido realizado logo após a eleição. Conforme essa avaliação, Flávio Bolsonaro poderá adotar o figurino de vítima e reforçar a tese de perseguição política.
Sobre a possibilidade de fuga do ex-candidato do PL à Presidência da República, os ministros ponderaram que seria preferível permitir que a viagem transcorresse, caso houvesse intenção deliberada de escapar da Justiça brasileira, evidenciando o ato perante a opinião pública. Flávio Bolsonaro viajou com a família em direção a Miami em uma aeronave particular. O trajeto aéreo teve partida na Argentina e realizou escala no Equador.