Atração do parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, é ligada a ferimentos graves e mortes, segundo investigação da CNN; empresa não comenta processos em andamento
Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes gravidades após utilizarem a montanha-russa X2, uma das principais atrações do parque Six Flags Magic Mountain, no sul da Califórnia. As alegações, referentes a incidentes ocorridos nos últimos dois anos, surgem após uma investigação da CNN relacionar o brinquedo a ferimentos graves e mortes. Nesta semana, o advogado civil Christopher Bulone anunciou três novos processos contra a empresa. "A Six Flags tem apostado deliberadamente com a vida das pessoas. Nenhum brinquedo assim deveria ter permissão de existir", declarou Bulone em coletiva de imprensa na terça-feira (22). A X2 é conhecida por sua tecnologia de "quarta dimensão", com assentos que giram 360 graus e atingem velocidades de quase 130 km/h. As denúncias de que a atração causa ferimentos em passageiros existem há mais de uma década, mas ganharam nova dimensão com a reportagem da CNN, que documentou mais de uma dúzia de casos de hospitalizações e pelo menos duas mortes associadas ao brinquedo.
Após a publicação da matéria, advogados afirmaram representar mais de 100 novos clientes com alegações de lesões cerebrais. Eles informaram ter recebido centenas de outros relatos, mas muitos não puderam ser processados devido ao prazo de prescrição ou falta de comprovação médica. Entre os casos detalhados nos processos está o de Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, que perdeu a consciência e precisou de uma cirurgia cerebral de emergência após andar na montanha-russa. Ela permanece em coma. Outra vítima, Pamela Guillen, de 40 anos, também passou por cirurgia cerebral de emergência após o passeio e teve que reaprender a falar e andar. Um laudo médico de Guillen, analisado pela CNN, atribuiu os ferimentos a "um evento traumático de rápida aceleração-desaceleração vivenciado durante o brinquedo X2". O advogado de Los Angeles, Michael Wilk, também processa o parque, alegando ter sofrido um grave sangramento cerebral que exigiu múltiplas cirurgias após andar na X2 em fevereiro.
Ele afirma que os ferimentos o deixaram incapacitado para exercer a advocacia. A Six Flags se recusou a comentar as novas alegações, citando a política de não se pronunciar sobre processos judiciais em andamento. A empresa informou apenas que "o brinquedo permanece fechado no momento". Em processos anteriores, a defesa da Six Flags argumentou que placas alertam sobre os "riscos inerentes" e que a atração é testada regularmente, não sendo forte o suficiente para causar lesão cerebral em um passageiro "normal" que a utilize "conforme as instruções". A montanha-russa foi fechada pelo parque na noite de 12 de julho, um dia após o acidente mais recente, sem que a empresa explicasse o motivo da decisão. A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, órgão que supervisiona os parques de diversões, não respondeu aos pedidos de comentário da CNN sobre as novas alegações e informou que uma inspeção está em andamento.