Nepal busca US$ 5 bilhões para reconstrução após enchentes devastadoras

Governo nepalês pedirá ajuda financeira a países ricos e agências globais, argumentando que desastre é consequência de mudanças climáticas

O número de mortos após os deslizamentos de terra e enchentes que atingiram o Nepal em 26 de agosto subiu para 1.385, com mais de 5.100 pessoas ainda desaparecidas. Os dados são da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA). Pouco mais de três semanas após a tragédia, as buscas por sobreviventes continuam. Em Bidur, no distrito de Nuwakot, militares e agentes de segurança nepaleses realizaram enterros coletivos de vítimas não identificadas. Segundo uma testemunha da agência Reuters, o sepultamento de 48 corpos, transportados em sacos mortuários, durou mais de quatro horas. Recipientes numerados foram usados para registrar os restos mortais em cada local. Diante da devastação, o governo do Nepal anunciará nesta semana um pedido de ajuda financeira de US$ 5 bilhões para a reconstrução inicial do país.

A solicitação será apresentada a países mais ricos e agências globais, como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento. O valor cobre a primeira fase da recuperação, estimada para os próximos cinco meses. Dharam Raj Uprety, chefe de gestão de desastres do Nepal, afirmou que o plano será compartilhado com embaixadas de nações e blocos como Estados Unidos, Reino Unido, Índia, China, Japão e União Europeia. "Não é apenas um desastre provocado por enchentes, é algo de grandes proporções. Um desastre provocado pelas mudanças climáticas", declarou Uprety. Autoridades nepalesas defendem que o desastre evidencia como as mudanças climáticas afetam desproporcionalmente países pobres, que pouco contribuíram para o aquecimento global. "Países como o Nepal não contribuem significativamente para as mudanças climáticas, mas estão enfrentando desastres dessa magnitude.

Então, por que isso não deveria ser uma responsabilidade compartilhada pela comunidade internacional?", questionou Prakash Pokhrel, geólogo da NDRRMA. A China, responsável por cerca de um terço das emissões globais, afirmou por meio de seu Ministério das Relações Exteriores que está disposta a prestar assistência. O porta-voz Guo Jiakun disse que Pequim ofereceu ajuda imediata e acredita que o povo nepalês conseguirá se reerguer. O governo do Nepal está finalizando um relatório detalhado sobre os danos e as necessidades de financiamento para abrigos, escolas e infraestrutura. O tema também será levado pelo primeiro-ministro Balendra Shah à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 24 de setembro, onde ele deve pedir maior apoio internacional para nações vulneráveis.

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