Medicamento importado dos EUA chegou a Guarulhos e foi levado de helicóptero ao Hospital Albert Einstein; influenciador será o primeiro a testar a substância no mundo
Uma operação conjunta entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu a liberação, em poucos minutos, de um medicamento experimental destinado ao influenciador Lito Sousa. A carga, vinda de Nova York, chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no sábado (12). A agilidade foi crucial, pois o potencial terapêutico da substância, chamada ALN-6457, diminui rapidamente com o passar das horas. Após o desembarque, o remédio foi transferido diretamente da aeronave para um helicóptero, que o transportou ao Einstein Hospital Israelita. Em nota, a Receita Federal informou que a rapidez da operação foi resultado da atuação coordenada com a Anvisa. "O planejamento prévio entre as equipes possibilitou a antecipação dos procedimentos necessários para a liberação da carga, garantindo que o medicamento seguisse seu trajeto sem atrasos", afirmou o órgão.
Lito Sousa, diagnosticado aos 59 anos com a rara doença de Creutzfeldt-Jakob, será a primeira pessoa no mundo a testar a substância. A enfermidade, que provoca a deterioração cerebral, não possui tratamento conhecido que reverta sua evolução. Entre 2005 e 2021, o Brasil registrou 547 casos confirmados. A importação do medicamento, produzido pela Regeneron Pharmaceuticals, foi autorizada pela Anvisa em 4 de setembro, em caráter excepcional. A substância ainda está em estágio pré-clínico e não possui registro comercial no Brasil. A autorização foi concedida por meio do mecanismo de "uso compassivo", que permite a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas o acesso a medicamentos ainda em fase de testes.
O pedido de importação foi formalizado pelo Einstein Hospital Israelita, onde Lito é acompanhado. Mila Seidl, esposa do influenciador, relatou que a família reuniu uma documentação robusta para fundamentar o pedido, incluindo exames e informações científicas fornecidas pela farmacêutica. Segundo ela, a família tentou inicialmente incluir Lito em um estudo experimental, mas não havia mais vagas. "A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento", explicou Mila.