Operação policial no Complexo da Maré termina com 28 mortos

Ação da Polícia Civil no Jacarezinho e em outras comunidades do entorno deixou ainda 4 feridos. Foi a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, superando a Chacina de Vigário Geral, em 1993, que teve 21 vítimas.

Uma operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou na morte de 28 pessoas na manhã de quinta-feira, 6 de maio de 2021. A ação se tornou a mais letal da história do estado, ultrapassando o trágico episódio conhecido como Chacina de Vigário Geral, que em 1993 resultou em 21 mortes. A operação, batizada de "Exceptis", tinha como objetivo o cumprimento de 21 mandados de prisão contra indivíduos acusados de envolvimento com o tráfico de drogas, homicídios e sequestros de trens da SuperVia. Segundo a Polícia Civil, a investigação durou cerca de dez meses e identificou lideranças do tráfico que estariam aliciando crianças e adolescentes para o crime organizado. Entre os mortos estão 27 suspeitos e o policial civil André Leonardo de Mello Frias, que foi baleado na cabeça durante o confronto e não resistiu. Outras quatro pessoas, incluindo dois passageiros de um trem do metrô que passava pela região, foram atingidas e ficaram feridas. A intensidade do tiroteio levou ao fechamento de postos de saúde e escolas na área, além da interrupção da circulação de trens da Linha 2 do metrô.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi a responsável pela ação, que contou com um forte aparato de segurança, incluindo veículos blindados e helicópteros. Moradores relataram horas de tiroteio intenso e registraram cenas de invasão a domicílios e corpos espalhados pelas vielas da comunidade. Vídeos e fotos que circularam nas redes sociais mostravam um cenário de guerra, com marcas de sangue e destruição. A magnitude da operação gerou uma forte reação de entidades de direitos humanos, da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). As organizações questionaram a legalidade e a proporcionalidade da ação, especialmente por ter ocorrido durante a vigência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringia operações policiais em comunidades do Rio durante a pandemia da Covid-19, exceto em casos de "absoluta excepcionalidade". O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) anunciou a abertura de um procedimento para investigar as circunstâncias das mortes. A Polícia Civil, por sua vez, defendeu a legalidade da operação, afirmando que todos os protocolos foram seguidos e que a ação foi planejada para ser "cirúrgica".

Segundo a corporação, os agentes foram recebidos a tiros ao entrarem na comunidade e precisaram revidar. Com a repercussão negativa, o caso rapidamente ganhou atenção nacional e internacional. O episódio levantou um debate profundo sobre a política de segurança pública no Rio de Janeiro e a violência policial em áreas periféricas. Especialistas em segurança apontaram que operações com alto número de mortes raramente resultam na desarticulação efetiva do crime organizado, gerando um ciclo de violência e retaliação. A operação no Jacarezinho ocorreu em um contexto de aumento da violência no Rio de Janeiro. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostravam que, apesar da decisão do STF, o número de mortes em ações policiais continuava elevado. O caso reacendeu a discussão sobre a necessidade de um novo modelo de segurança, baseado em inteligência e investigação, em vez do confronto direto.

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