PP, União e PL lideram ranking de emendas sem autoria na Câmara

Relatório da Transparência Brasil aponta que R$ 1,3 bilhão em recursos para 2025 foram indicados por lideranças partidárias, ocultando os deputados responsáveis.

Um relatório da organização Transparência Brasil aponta que R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares na Câmara dos Deputados foram repassados sem a identificação do deputado autor do recurso. Segundo o levantamento, as siglas que mais utilizaram o mecanismo, associando a autoria à liderança partidária, foram o Progressistas (PP), União Brasil e o Partido Liberal (PL). A prática, conforme o relatório, oculta os verdadeiros responsáveis pela indicação dos recursos. Além dos três partidos no topo da lista, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos também aparecem com valores significativos em emendas de liderança para o orçamento de 2025. De acordo com a Transparência Brasil, o ranking de indicações é liderado pelo Progressistas, com 464 indicações que somam R$ 427,7 milhões. Em seguida vêm o União Brasil, com R$ 288,7 milhões (303 indicações), o PL, com R$ 254,3 milhões (234 indicações), e o Republicanos, com R$ 218,4 milhões (260 indicações). Os dados foram compilados a partir de documentos da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional.

O relatório destaca que, no Senado, todas as indicações de emendas de comissão estavam associadas a um senador específico, diferentemente do que ocorre na Câmara. O estudo também revela que a maior parte desses repasses sem autoria definida concentra recursos em poucos estados, geralmente as bases eleitorais de lideranças partidárias. "A prática sugere que a escolha do beneficiário final é feita por diversos deputados da legenda, de diferentes regiões do país, com caciques partidários se apropriando de maiores volumes para seus estados de interesse. Nenhum desses parlamentares é identificado", afirma o documento. Um exemplo é o Progressistas, que concentrou mais da metade do montante no Piauí, estado do presidente do partido, senador Ciro Nogueira. O União Brasil, por sua vez, direcionou 47% de suas emendas de liderança (R$ 134,9 milhões) para o Maranhão, domicílio eleitoral do líder da bancada, deputado Pedro Lucas Fernandes. A Transparência Brasil alerta que o cenário persiste para o orçamento de 2026.

Um rastreamento parcial feito em maio já identificou R$ 373,8 milhões em recursos registrados com autoria de lideranças. O PT, que não aparecia na lista de 2025, ingressou no grupo com R$ 107,5 milhões. Nos dados parciais de 2026, o Republicanos lidera com R$ 126,5 milhões. A organização também criticou a falta de transparência da Câmara dos Deputados, que, segundo o relatório, apresentou "respostas evasivas" sobre a disponibilização das atas das reuniões que definem a distribuição das emendas, documentos que deveriam ser públicos por lei. Procurado, o Solidariedade informou que todas as indicações feitas pela liderança obedecem à Constituição e que o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), líder da bancada, destinou suas indicações para o estado do Rio de Janeiro, pelo qual foi eleito. Os demais partidos citados não haviam se manifestado até a publicação da matéria original.

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