Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, impede ex-presidente de receber aliados e de atuar na articulação da campanha eleitoral e na crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) celebraram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter sua prisão domiciliar por questões de saúde. Ao mesmo tempo, lamentam que a medida amplie o isolamento político de Bolsonaro em meio a uma crise familiar às vésperas do início da campanha eleitoral. A avaliação no entorno do ex-presidente é que, em casa e com visitas restritas, ele fica impossibilitado de dar um direcionamento claro à campanha. Também perde a capacidade de arbitrar o atrito público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Ao prorrogar a prisão domiciliar, Moraes manteve as regras impostas em março. Com isso, continuam proibidas as visitas de aliados políticos à residência de Bolsonaro.
A justificativa da medida é a necessidade de "evitar risco de sepse e controle de infecções". A situação atual contrasta com o período de dois meses em que o ex-presidente esteve preso na Papudinha, em Brasília. Na ocasião, ele transformou o local em uma espécie de "QG eleitoral", recebendo mais de 15 aliados. Entre os visitantes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Reservadamente, aliados reclamam que Michelle Bolsonaro se tornou o principal canal de acesso ao ex-presidente. Isso, segundo eles, dificulta a compreensão da real avaliação de Bolsonaro sobre a crise político-familiar em curso.
Os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan Bolsonaro têm autorização para visitar o pai, mas apenas em condições semelhantes às de um estabelecimento prisional. As visitas podem ocorrer às quartas-feiras e aos sábados, em horários determinados (8h às 10h, 11h às 13h e 14h às 16h). Os advogados, por sua vez, podem se encontrar com Bolsonaro diariamente, por 30 minutos, em sistema de revezamento. Como Flávio foi incluído na equipe de defesa, ele também pode visitar o pai na condição de advogado. Segundo informações apuradas pela CNN, o senador tem utilizado essa prerrogativa para buscar orientação do pai para sua campanha.