Relação entre EUA e Ucrânia se aprofunda em crise com troca de acusações

Presidente Donald Trump acusa Volodymyr Zelensky de não querer o fim da guerra; líder ucraniano critica concessões dos EUA à Rússia

A relação entre a Ucrânia e os Estados Unidos enfrenta uma tensão crescente devido a divergências sobre compartilhamento de inteligência, sanções, ataques ucranianos a instalações de energia russas e o caminho para a paz. Há também uma aparente e profunda desconfiança mútua entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. Nesta segunda-feira, Trump acusou Zelensky de "não saber do que estava falando" e sugeriu que era "hora de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia". A declaração ocorreu após a Ucrânia lançar um de seus maiores ataques de drones do ano contra a Rússia no fim de semana, atingindo um terminal de petróleo, em desafio à exigência de Trump para que o país parasse de atacar refinarias russas. Na semana passada, Trump chamou os ataques de Kiev às refinarias de petróleo russas de "desgraça" e disse que Zelensky era mais difícil de lidar do que o líder russo, Vladimir Putin. Em uma entrevista no domingo, Zelensky respondeu, afirmando que era "melhor ter parceiros que são muito abertos e claros do que ter aqueles que são assassinos, mesmo com um sorriso no rosto", em uma aparente referência à relação de Trump com a Rússia.

Trump voltou a criticar Zelensky no domingo, afirmando em uma postagem no Truth Social que ele "não quer acabar com esta guerra, e provavelmente nunca quis". Zelensky, por sua vez, disse que está aberto a negociações de paz se a segurança da Ucrânia for garantida e que mantém "comunicação ininterrupta" com parceiros, incluindo o enviado dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner. A tensão aumentou com concessões recentes de Trump à Rússia em sanções, incluindo uma isenção para permitir exportações de diesel russo. Zelensky afirmou em entrevista à NBC que as isenções fortalecem o esforço de guerra de Putin. Há uma ansiedade crescente em Kiev e na Europa de que o governo Trump faça mais concessões a Moscou para um acordo de paz. A Ucrânia também está preocupada com relatos de uma possível reunião trilateral envolvendo EUA, China e Rússia para discutir o conflito, sem a participação ucraniana.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse durante uma visita ao Uzbequistão que "houve conversas sobre uma reunião", mas não sabia se algo foi finalizado. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou que tal reunião "encorajaria Putin a continuar esta guerra". Zelensky também se queixou de cortes no fornecimento de inteligência via satélite dos EUA, afirmando que Kiev não recebeu aviso prévio sobre ataques de mísseis balísticos no domingo à noite. Rubio negou a acusação. "Não sei de onde ele está tirando essas coisas ou por que está dizendo essas coisas à imprensa", disse Rubio a repórteres.

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