Em 20 anos, documento americano perdeu posições em ranking que mede acesso a países sem visto, enquanto nações asiáticas e europeias dominam o topo da lista.
O passaporte de Singapura consolidou sua posição como o mais poderoso do mundo, permitindo a seus cidadãos viajar para 192 destinos sem a necessidade de visto. A nova classificação, divulgada pelo Henley Passport Index em seu relatório comemorativo de 20 anos, evidencia uma mudança significativa no cenário global de liberdade de viagem, marcada pelo declínio dos Estados Unidos. Há duas décadas, em 2006, o passaporte americano era considerado um dos mais influentes, com um nível de acesso global comparável apenas ao da Dinamarca e da Finlândia. Hoje, os Estados Unidos ocupam o décimo lugar, empatados com a Islândia, oferecendo acesso a 180 destinos. Embora o número de países acessíveis tenha aumentado em relação aos 130 de 2006, 36 nações agora estão à frente no ranking. O segundo lugar na lista é compartilhado por Japão, Coreia del Sur e Emiratos Árabes Unidos, cujos cidadãos podem entrar em 188 países. O relatório destaca a ascensão dos Emiratos Árabes Unidos, que adicionaram 153 novos destinos sem visto para seus cidadãos nas últimas duas décadas, um crescimento classificado como "meteórico".
A Suécia aparece na terceira posição, com acesso a 187 destinos. Logo em seguida, no quarto lugar, há um empate entre onze países, a maioria europeus: Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Bajos, Noruega e Espanha, todos com 186 destinos. O quinto posto é dividido por Áustria, Grécia, Malta, Portugal e Suíça, com 185 destinos. O Reino Unido, que já ocupou a terceira posição, agora está em sexto lugar, ao lado de Hungria e Polônia, com acesso a 184 países. Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners, criadora do índice, afirma que "o poder do passaporte é uma das expressões mais claras do capital geopolítico de um país". Segundo ele, a mobilidade é um indicador do valor que outras nações atribuem à relação com um determinado país, seja para comércio, investimento ou segurança.
O relatório também aponta para um aumento na "lacuna de mobilidade" global. A diferença entre o primeiro colocado, Singapura (192 destinos), e o último, Afeganistão (22 destinos), é de 118 países. Curiosamente, a Bolívia foi o único país a registrar uma perda líquida no acesso sem visto nos últimos 20 anos. A análise da Henley & Partners também cruzou dados com o Índice de Paz Global, revelando uma forte correlação entre paz e poder do passaporte. Países como Singapura, Japão e Suíça figuram bem em ambos os rankings. No entanto, há exceções como os Estados Unidos e Israel, que possuem passaportes fortes apesar de classificações mais baixas no índice de paz, o que, segundo o relatório, reflete décadas de capital diplomático e influência geopolítica acumulados.