Demanda aquecida da China e alta do petróleo no mercado externo impulsionam valorização do grão, que registrou recorde no Porto de Paranaguá (PR).
O preço da soja brasileira alcançou sua maior cotação no ano, impulsionado pela forte demanda externa em plena entressafra. Nesta segunda-feira (20), a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 142,65 no Porto de Paranaguá (PR), representando um ajuste positivo de 1,16% em relação ao dia anterior. Com a produção nacional já colhida, a valorização do grão acumula uma alta de 6,79% no mês. O movimento reflete principalmente dois fatores do cenário internacional que beneficiam o produto brasileiro. O primeiro deles é a alta do petróleo, que impulsionou as cotações de grãos utilizados na produção de biocombustíveis. Como reflexo, todos os contratos da soja registraram ganhos na Bolsa de Chicago, com avanço de 1,78% no contrato de agosto e de 1,93% no de novembro.
O segundo fator é o forte apetite da China. Dados da Administração Geral das Alfândegas chinesa, divulgados na segunda-feira, mostram que o país asiático importou 12,08 milhões de toneladas de soja brasileira em junho, um aumento de 13,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado. A preferência pelo grão do Brasil está ligada à guerra comercial entre China e Estados Unidos. Em junho, os chineses compraram 20% menos soja norte-americana, totalizando 1,27 milhão de toneladas, contra 1,6 milhão no mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro semestre de 2026, as importações chinesas de soja dos EUA recuaram 42,4% (9,31 milhões de toneladas), enquanto as compras do Brasil avançaram 9,1% (34,75 milhões de toneladas), conforme os dados da fonte. Segundo a consultoria Biond Agro, este cenário pode mudar no segundo semestre, período em que os Estados Unidos tradicionalmente aumentam sua participação no fornecimento global com o avanço da colheita.
Novas compras chinesas de produto americano poderiam sustentar os preços em Chicago. No mercado de derivados, o destaque é o farelo de soja. De acordo com a Agrinvest, indústrias e tradings norte-americanas aumentaram a aquisição de soja em grão para esmagamento, o que valorizou os prêmios no mercado interno dos EUA e reduziu a disponibilidade do grão para exportação. Com isso, o farelo operava em alta de 0,60% nas primeiras horas de terça-feira (21). O clima no cinturão agrícola dos EUA também segue no radar dos investidores. Previsões de chuva reduziram parte das preocupações com a seca, mas as temperaturas acima da média e a distribuição irregular das precipitações mantêm o mercado em alerta.