Investigação do Cenipa sobre o acidente de 2024 aponta 10 falhas na aeronave, incluindo um defeito que impedia o voo com previsão de chuva. Empresa, pilotos e Anac são responsabilizados.
O relatório final do Cenipa sobre o acidente aéreo da Voepass em Vinhedo, ocorrido em 2024, apontou que o avião não poderia ter decolado. A investigação sobre a queda, que causou 62 mortes e é considerada o maior desastre aéreo no Brasil desde 2007, foi divulgada nesta quinta-feira (23). De acordo com o documento, a aeronave turboélice apresentava 10 falhas antes de partir de Cascavel. Uma delas, considerada impeditiva, era um defeito no limpador de para-brisa.
A norma aeronáutica proíbe a decolagem de aviões com essa avaria em caso de previsão de chuva. A investigação também revelou que, na véspera do acidente, o avião teve falhas no sistema de degelo que não foram registradas pela companhia. Durante o voo, segundo o Cenipa, a tripulação mantinha conversas sobre assuntos pessoais e não acionou um sistema de proteção da aeronave. O relatório atribui responsabilidades pelo acidente à empresa Voepass, aos pilotos e à Anac.
A conclusão é que houve uma cadeia de falhas que culminaram na tragédia. Após o acidente, a Anac cassou o certificado de operador aéreo da Voepass. A Polícia Federal também abriu um inquérito para apurar eventuais crimes relacionados ao desastre.