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Ciência desvenda segredo da longevidade de Jonathan, o animal de 194 anos

Genoma do jabuti-gigante-de-aldabra revela um "kit antienvelhecimento" com variantes genéticas que reparam o DNA e combatem doenças, ajudando a entender o envelhecimento humano.

Redação O Informantte·09/10/2026, 13:22·2 min de leitura
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Ciência desvenda segredo da longevidade de Jonathan, o animal de 194 anos

O mistério por trás da longa vida de Jonathan, um jabuti-gigante-de-aldabra (Aldabrachelys gigantea) de 194 anos, começou a ser decifrado pela ciência. Considerado o animal terrestre mais velho do mundo, ele possui quase o dobro da expectativa de vida de sua espécie, que já é conhecida pela longevidade, variando entre 80 e 93 anos.

Um estudo recém-publicado na revista Science Advances revelou que o segredo está em uma espécie de "kit antienvelhecimento" presente em seu DNA. Pesquisadores de um consórcio internacional, liderados pelo geneticista Benjamin Vaisvil, da Fundação Kallel e da empresa Igenbio, sequenciaram o genoma de Jonathan e descobriram uma combinação única de variantes genéticas que o tornam mais resistente às falhas associadas ao envelhecimento.

Segundo o estudo, Jonathan possui 287 genes com variantes exclusivas e outros 770 com modificações ligadas à longevidade. Essas características genéticas o auxiliam no reparo do DNA, tornam sua regulação de insulina mais eficiente e o ajudam a evitar o desenvolvimento de câncer. Um exemplo notável é a presença de 10 cópias do gene da perforina (Prf1), usado por células de defesa para destruir células cancerígenas e senescentes (envelhecidas), enquanto outros jabutis possuem menos cópias.

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A geneticista Mayana Zatz, do Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, que lidera um estudo com centenários no Brasil, comentou a descoberta. "Não se trata de uma característica, mas de uma combinação de centenas delas. É realmente extraordinário", afirmou, ressaltando que, embora a "receita" do jabuti não possa ser copiada, ela ilumina mecanismos moleculares importantes do envelhecimento.

Os cientistas também analisaram os telômeros de Jonathan, as extremidades dos cromossomos que encurtam com a idade, e constataram que eles se assemelham aos de um animal jovem. Além disso, seu metiloma, que regula a expressão dos genes, apresenta menos falhas do que o de jabutis décadas mais novos.

A coleta do material genético não foi simples. Por ser um ícone da conservação, não era possível coletar sangue. A equipe precisou obter amostras de saliva e mucosa da bochecha, seduzindo o animal com comida para que ele abrisse a boca voluntariamente. Jonathan vive no jardim da residência oficial do governador da Ilha de Santa Helena, um território britânico no Atlântico, para onde foi levado por volta de 1882, vindo de seu local de origem, as Ilhas Seychelles.

Nascido por volta de 1832, o jabuti já garantiu seu lugar na história. As descobertas sobre seu genoma contribuem para a compreensão do processo de envelhecimento em outras espécies, incluindo os seres humanos.

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