A menos de quatro meses do início da Copa do Mundo do Catar, uma tradição que une gerações já toma conta de Barueri. O lançamento do álbum de figurinhas oficial da Panini, vendido a R$ 12, deu início a uma verdadeira caçada por colecionadores de todas as idades, que se reúnem em shoppings, parques e praças da cidade para trocar cromos e tentar completar as 670 posições do livro.

A matemática por trás do hobby revela o tamanho do desafio. Cada pacote com cinco figurinhas custa R$ 4. Para preencher todo o álbum, um colecionador precisaria de, no mínimo, 134 pacotes sem encontrar nenhum cromo repetido. O investimento inicial, nesse cenário ideal, seria de R$ 536. No entanto, a realidade das figurinhas repetidas torna a jornada mais longa e a troca, uma necessidade fundamental.

Em Barueri, o Parque Shopping se tornou um dos principais pontos de encontro. Nos fins de semana, o local disponibiliza um espaço exclusivo para a troca de figurinhas, que fica lotado de crianças, adolescentes e adultos. Com listas em mãos e pilhas de cromos repetidos, eles negociam, conversam e socializam, transformando o hobby em um evento comunitário.

O fenômeno não é apenas sobre futebol, mas também sobre nostalgia e interação social. Pais que colecionaram álbuns em sua infância agora revivem a experiência ao lado dos filhos, muitos deles da chamada "geração digital". A atividade é vista por muitas famílias como uma oportunidade para tirar as crianças das telas de celulares e videogames, promovendo o diálogo e a convivência presencial.

A busca vai além dos jogadores das 32 seleções. A Panini inovou nesta edição ao criar 80 figurinhas extras, chamadas de "Lendas", que retratam 20 jogadores icônicos em quatro versões (base, bronze, prata e ouro). Esses cromos são considerados raros e não possuem lugar fixo no álbum, o que os transformou em itens cobiçados e valiosos no mercado paralelo. Em sites de venda online, uma única figurinha rara de craques como Neymar ou Lionel Messi pode ser anunciada por valores que chegam a milhares de reais.

Essa valorização cria uma economia paralela em torno do álbum. Grupos em redes sociais e aplicativos de mensagens fervilham com negociações, vendas e trocas não apenas de figurinhas raras, mas também de pacotes lacrados e álbuns completos. A paixão pelo futebol se mistura a uma estratégia de investimento para alguns colecionadores mais dedicados, que enxergam nos pequenos pedaços de papel uma oportunidade de lucro.

Apesar de o foco da matéria original ser um shopping específico, o movimento se espalha por toda a região. É comum ver rodas de colecionadores se formando em praças de alimentação de outros centros comerciais, como o Shopping Tamboré e o Iguatemi Alphaville, bem como em parques e áreas de lazer de condomínios. A tradição se adapta aos espaços de convivência de cada bairro.

O álbum da Copa do Mundo de 2022 demonstra sua força como um fenômeno cultural que transcende o esporte. Ele movimenta um mercado significativo, resgata memórias afetivas e, principalmente, cria pontes entre pessoas em um mundo cada vez mais digital. Em Barueri, a caça às figurinhas certas está apenas começando e promete se intensificar até o início do mundial, em novembro.