Imagine viver em um lugar onde os termômetros já marcaram -71,2ºC. Essa é a realidade em Oymyakon, uma vila na República de Sakha, na Rússia, conhecida como a cidade mais fria do mundo. Com menos de mil habitantes, a localidade passa a maior parte do ano coberta de gelo, enfrentando nove meses de inverno e apenas três horas de luz solar por dia.
O recorde de temperatura de -71,2ºC foi registrado em janeiro de 1924 e se tornou um marco que atrai visitantes. A geografia local, em meio a montanhas, contribui para manter o ar frio e denso na região. O inverno começa em setembro e só termina em meados de abril, com temperaturas constantemente abaixo de zero, o que causa deficiência de vitamina D nos moradores.
A rotina diária é um desafio constante. Sair de casa exige múltiplas camadas de roupas e botas de pele de rena ou alce. As escolas só fecham quando a temperatura atinge -52ºC. Para evitar o congelamento do motor, os carros precisam permanecer ligados o tempo todo quando estão ao ar livre, protegidos por capas de lã. Nas garagens, que são aquecidas, os veículos podem ser desligados.
As casas de madeira contam com sistemas de aquecimento central, mas objetos cotidianos, como o papel higiênico, precisam ser protegidos para não congelarem. Como o solo é permanentemente congelado, a agricultura é inviável, e a alimentação da população é baseada em carne e peixe. A água quente é fornecida por fontes termais, que também impedem o congelamento das tubulações.
Apesar das condições extremas, a cidade sedia a Maratona do Polo do Frio. O evento, que teve sua primeira edição oficial em 2019, desafia corredores a enfrentar temperaturas de até -50ºC em percursos que variam de 5 a 50 quilômetros. A próxima edição está programada para janeiro de 2027.










