Uma história surpreendente ocorrida em Los Angeles na década de 1970 envolveu o que parecia ser um tesouro enterrado, mas que se revelou uma trama de fraude. Em 1978, o Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles anunciou que uma Ferrari Dino 246 GTS havia sido encontrada no quintal de uma residência na cidade.
O veículo, de cor verde metálica, estava embalado em plástico e aparentava estar em boas condições. A investigação revelou que o carro pertencia a Rosendo Cruz, um encanador que o comprou por US$ 22,5 mil em outubro de 1974 como um presente para sua esposa. Apenas dois meses depois, em dezembro, o casal reportou o roubo do veículo após estacioná-lo em frente a um restaurante durante a celebração de seu aniversário de casamento.
A versão inicial, divulgada pela jornalista Priscilla Painton no Los Angeles Times, afirmava que crianças brincando na lama haviam descoberto o teto do carro e alertado a polícia. Os detetives Joe Sabas e Lenny Carroll lideraram a escavação que desenterrou a Ferrari. Os moradores da casa na época, que haviam se mudado há apenas três meses, disseram não saber da existência do carro.
Apesar do relato inicial de que o carro estava em "condição surpreendentemente boa", avaliado em US$ 18 mil, uma inspeção posterior mostrou uma realidade diferente. A revista Autoweek publicou em 1986 que o veículo tinha fungos, ferrugem, corrosão no couro e danos significativos causados tanto pelo tempo enterrado quanto pela remoção. As rodas e o escapamento estavam destruídos pela lama e erosão.
Anos mais tarde, a verdade sobre a descoberta veio à tona. Em 2012, o jornalista Mike Spinelli, do site Jalopnik, ouviu do detetive aposentado Dennis Carroll que a história das crianças foi uma invenção. Na realidade, o departamento do xerife recebeu uma denúncia anônima sobre um esquema de fraude. O proprietário, Rosendo Cruz, teria contratado pessoas para simular o roubo e enterrar o carro para receber o dinheiro do seguro. A polícia mentiu para a imprensa para proteger a fonte e a investigação em andamento.
Mesmo em mau estado, o carro foi leiloado e arrematado por um jovem mecânico chamado Bradley Howard, por um valor estimado entre US$ 5 mil e US$ 9 mil. Howard restaurou a Ferrari e a mantém em sua garagem até hoje, afirmando que o carro só sobreviveu por causa de um período de seca em Los Angeles na época.