Barueri, SP
Cultura

Manuscrito medieval de língua desconhecida desafia inteligência artificial e especialistas

Documento guardado na Universidade de Yale data do início do século XV e mobiliza pesquisas que vão de algoritmos a dialetos antigos

Redação O Informantte·21/10/2026, 20:07·3 min de leitura
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Manuscrito medieval de língua desconhecida desafia inteligência artificial e especialistas

Produzido entre os séculos XV e XVI, redigido em uma língua desconhecida e de autoria incerta, o chamado Manuscrito Voynich segue como um enigma que intriga estudiosos. Desgastado, amarelado e em estado frágil, o documento encontra-se atualmente guardado no porão da Biblioteca de Livros Raros e Manuscritos Beinecke da Universidade de Yale.

Desde que veio a público há mais de 100 anos, diversos grupos tentaram decifrar o texto sem sucesso, incluindo criptógrafos do Exército dos EUA e cidadãos comuns que formulam teorias na internet. O livro não possui título original nem autor conhecidos. O nome atual homenageia o colecionador e livreiro Wilfrid Voynich, que adquiriu a obra em 1912. Entre as hipóteses levantadas, há quem aponte que o texto poderia ser de Leonardo da Vinci, obra de um monge ou simplesmente uma brincadeira elaborada.

A diretora executiva da Academia Medieval da América e estudiosa de longa data do manuscrito, Lisa Fagin Davis, afirma que o primeiro registro da obra ocorreu após o Sacro Imperador Romano Rodolfo II comprá-la no final do século XVI. Rodolfo acreditava que o texto era do filósofo e alquimista britânico do século XIII Roger Bacon. Após a transação, o manuscrito viajou pela Europa e ficou desaparecido por 250 anos até chegar às mãos de Wilfrid Voynich. Embora o comprador nunca tenha informado a procedência em vida, sua viúva revelou posteriormente que o documento foi adquirido de jesuítas nos arredores de Roma.

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Exames realizados em 2011 com carbono indicaram que o pergaminho data do início do século XV, entre os anos de 1404 e 1438. A análise da tinta também confirmou compatibilidade com o material utilizado naquele período. Os dados cronológicos descartam hipóteses de autoria associadas a Roger Bacon, Leonardo da Vinci e ao próprio Wilfrid Voynich.

O avanço tecnológico também foi mobilizado nas investigações. O professor Greg Kondrak e o estudante de pós-graduação Bradley Hauer, da Universidade de Alberta, no Canadá, afirmaram que a inteligência artificial decifrou o código. A equipe utilizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas traduzida para 380 idiomas e aplicou algoritmos estatísticos que identificavam a língua correta em até 97% das ocasiões. Os pesquisadores sustentaram que a escrita original era hebraico e que a primeira frase completa significava que ela fez recomendações ao padre, ao chefe da casa, a mim e a outras pessoas. A conclusão foi contestada por Davis e outros especialistas, que destacam a necessidade de validação externa, métodos replicáveis e coerência textual.

Outra abordagem surgiu de Ahmet Ardic, engenheiro eletricista e pesquisador de línguas turcas e raízes etimológicas, que conheceu o Manuscrito Voynich pela internet há quatro anos. Após trabalhar sozinho por um ano, ele envolveu seus dois filhos na análise e publicou um vídeo no YouTube detalhando os achados. A família defende que a obra foi redigida em um dialeto turco antigo, com ortografia fonêmica que registra a linguagem falada.

Segundo os parentes, mais de 300 palavras já foram traduzidas, o que permitiria a leitura de pelo menos 30% do conteúdo. Eles afirmam que o volume reúne receitas, detalhes de pomadas, procedimentos sobre aborto e cesariana, além de desmistificar concepções médicas da época, a exemplo da crença de que comer mais colaborava para conceber um filho homem. Davis avaliou que essas afirmações se sustentam muito bem até o momento, mas ressaltou a importância de uma revisão por especialistas em línguas turcas antigas.

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