A equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser o principal canal de comunicação com a pré-campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), após uma nova decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida obrigou o PL a reorganizar o fluxo de informações e estratégias com o ex-presidente.

Na sexta-feira (17), Moraes manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro, mas impôs novas restrições depois que Flávio divulgou uma carta do pai que o apontava como seu porta-voz. O magistrado considerou "não ser plausível" a justificativa da defesa de que o ex-presidente desconhecia a publicação do material, que endossava a pré-candidatura presidencial do filho.

Pela ordem do ministro, Flávio Bolsonaro ficará 90 dias sem poder visitar o pai. Moraes também suspendeu, por 30 dias, o direito de Bolsonaro receber qualquer tipo de visita, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados. Além disso, foram suspensas, até o fim do período eleitoral, visitas com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestos do gênero, por qualquer meio.

Com a nova configuração, as orientações políticas de Bolsonaro para a campanha serão transmitidas por seus advogados. A equipe de defesa é composta pelos criminalistas Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser. Também integram o time o advogado do PL, Marcelo Bessa, o assessor de Bolsonaro, João Henrique Freitas, e o ex-ministro Adolfo Sachsida. Flávio Bolsonaro, embora também seja advogado do pai, está proibido de visitá-lo.

Integrantes do QG da pré-campanha de Flávio lamentam que a comunicação se tornará mais lenta, o que pode prejudicar a velocidade exigida por decisões em período eleitoral. Por outro lado, aliados do senador avaliam que a carta de Bolsonaro, pivô da crise, serviu para consolidar a candidatura de Flávio como seu principal porta-voz, em meio a um atrito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Após a decisão, Flávio Bolsonaro usou as redes sociais para classificar a medida como "ilegal, desproporcional, covarde e cruel". Em um vídeo, o senador afirmou que o pai foi "enterrado vivo" e que a decisão de Moraes seria "vingança" e não justiça.

Em um evento no Espírito Santo, no sábado (18), o pré-candidato do PL disse que não vai "abaixar a cabeça para tirano nenhum" e que pede a Deus para que a alma de Alexandre de Moraes seja "resgatada". "Não tem ninguém que está acima da lei, por que ele acha que pode?", questionou o senador durante o discurso.