O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articulou para assegurar a neutralidade da federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP) em estados considerados chave para as eleições de 2026. A ação ocorre em paralelo à retomada do diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após um período de rompimento.
A relação entre os dois havia sido abalada em abril, depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, interesses ligados às eleições levaram à reconstrução da ponte entre o Palácio do Planalto e o presidente do Congresso. Um primeiro encontro selou a reaproximação na semana passada, e uma nova conversa deve acontecer nos próximos dias.
Antes mesmo da reunião com Lula, Alcolumbre já trabalhava para consolidar a neutralidade da federação, tanto no cenário nacional quanto em importantes colégios eleitorais. A estratégia também foi decisiva para afastar partidos do centrão de alianças com o PL de Flávio Bolsonaro, o que pode enfraquecer palanques que dificultavam a posição eleitoral de Lula.
No Rio de Janeiro, reduto eleitoral da família Bolsonaro, a neutralidade da federação foi declarada após uma longa reunião que contou com a participação, por telefone, de Alcolumbre. A decisão foi vista como importante para a campanha de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado e, ao mesmo tempo, para Lula, por enfraquecer o palanque de Flávio Bolsonaro na região.
Em Minas, a federação União Brasil-PP decidiu apoiar o atual governador, Mateus Simões (PSD), deixando o PL de Flávio Bolsonaro isolado. Já em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o cenário é mais confortável para Flávio Bolsonaro, devido ao bom desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas pesquisas.
Segundo a matéria original, a reaproximação com Lula é motivada, para Alcolumbre, pela sua intenção de ser reeleito para o comando do Senado. Para os partidos do centrão, a neutralidade também é vista como uma estratégia que favorece a eleição de bancadas maiores na Câmara e no Senado.








