A expansão dos data centers nos Estados Unidos, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, criou um novo e aquecido mercado para escritórios de advocacia. Disputas legais envolvendo o uso do solo, consumo de recursos e ruído se multiplicam pelo país, demandando serviços jurídicos cada vez mais especializados.
Jason Morris, um advogado da região de Phoenix especializado em uso do solo, viu sua carga de trabalho com projetos de data centers saltar de 10% para cerca de 70% de seu tempo. Antes vistos como projetos de aprovação garantida, os novos data centers de hiperescala, maiores e com maior consumo de energia e água, enfrentam crescente resistência de comunidades e autoridades locais.
Segundo Morris, esses são os casos mais difíceis de sua carreira, com todos os instrumentos jurídicos sendo utilizados. A complexidade e o volume de litígios, no entanto, representam um grande número de horas faturáveis. Grandes bancas de advocacia, como Latham & Watkins, Perkins Coie e WilmerHale, já promovem ativamente seus serviços para o setor e investem na contratação de sócios com experiência na área.
Uma pesquisa da Bloomberg Law de junho revelou que aproximadamente um terço dos grandes escritórios de advocacia nos EUA agora possuem equipes dedicadas a data centers e infraestrutura digital. Advogados especializados em energia estão em alta demanda, dado o enorme consumo elétrico dessas instalações.
Tyler O'Connor, litigante de energia no escritório Crowell & Moring em Washington, D.C., afirma que a expansão dos data centers ofuscou recentemente o foco em projetos de energia limpa. "Mesmo quando não estamos trabalhando para esses clientes, quase todo o trabalho que fazemos agora é influenciado pelo surgimento dos data centers", disse ele.
Do outro lado da disputa, advogados de ações coletivas estão sendo procurados por moradores insatisfeitos. Laura Sheets, uma advogada de Detroit, já moveu quatro ações de perturbação contra operadores de data centers em quatro estados diferentes, com outras em preparação. As queixas argumentam que o ruído contínuo dos sistemas de resfriamento interfere no uso da propriedade e desvaloriza os imóveis locais.
O cenário de judicialização pode, eventualmente, levar a uma mudança na legislação. Michael Pollack, professor da Cardozo School of Law, aponta que a indústria de data centers pode pressionar o Congresso a aprovar leis que limitem o poder dos municípios de bloquear novas construções, de forma semelhante ao que ocorreu com as torres de telefonia celular na década de 1990, por meio do Telecommunications Act de 1996.







