A cachaça, um dos símbolos do Brasil, celebrou seu Dia Nacional neste domingo (13) em meio a um processo de valorização no mercado interno, mas com o desafio de ampliar sua presença global. Apesar de uma produção robusta, as exportações da bebida ainda são modestas em comparação com seu potencial.
Segundo dados do Anuário da Cachaça 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil produziu 234,4 milhões de litros da bebida em 2025. Desse total, apenas 7,95 milhões de litros foram exportados para 76 países, gerando uma receita de US$ 17,07 milhões. Para efeito de comparação, as exportações de tequila, o destilado mexicano, alcançaram US$ 4,3 bilhões no mesmo período, de acordo com o Consejo Regulador del Tequila (CRT).
O cenário mostra o longo caminho que a cachaça tem pela frente. Para Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), a bebida ainda é uma "promessa" no mercado internacional. Ele avalia que a expansão depende de um tripé: promoção, distribuição e investimento, além de um esforço para apresentar o produto a consumidores que ainda o desconhecem.
Internamente, a cachaça vive uma transformação de imagem iniciada nos anos 1990, com a profissionalização do setor. Produtores, tanto pequenos quanto grandes, passaram a investir em produtos de maior valor agregado, como cachaças envelhecidas e premium. O IBRAC estima que este segmento premium represente menos de 10% do mercado, refletindo uma tendência de consumo de beber menos, mas com mais qualidade.
A coquetelaria também tem sido uma aliada, abrindo espaço para o destilado em bares sofisticados e drinques autorais, para além da tradicional caipirinha. Conforme o anuário do Ministério, o Brasil encerrou 2025 com 1.538 estabelecimentos produtores de cachaça registrados, espalhados por 844 municípios.
O principal desafio para a exportação, segundo Bastos, é fazer a cachaça ser conhecida por si só, e não apenas como ingrediente da caipirinha. Ele aponta que a tequila se beneficiou da proximidade com os Estados Unidos e da força da culinária mexicana, além do investimento de grandes multinacionais de bebidas. "O Brasil precisa se assumir mais", afirma Bastos, citando o exemplo do café colombiano, que construiu uma marca global através de décadas de promoção.
Para impulsionar a bebida no exterior, o IBRAC, em parceria com a ApexBrasil, mantém um projeto de promoção internacional com ações previstas em mercados como México e Alemanha. Contudo, a expansão também depende de resolver questões internas, como o combate à produção informal, que não segue os padrões de qualidade do Ministério da Agricultura, e a alta carga tributária sobre o setor.







