O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira, a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida, que passa a valer a partir da próxima sexta-feira, tem como argumento a alegação de que o Brasil importa mercadorias de países vinculados a trabalho forçado.

Essa nova tarifa é cumulativa e se soma a uma outra, de 25%, que já havia entrado em vigor no último dia 22. Ambas as taxações são resultado de uma investigação aberta em julho do ano anterior pelo Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo a administração americana, ao comprar produtos de nações que não seguem boas práticas trabalhistas, o Brasil estaria obtendo mercadorias a preços reduzidos, o que geraria uma competição considerada desleal com o mercado dos Estados Unidos.

A investigação do USTR mirou um total de 60 países. O Brasil foi incluído no grupo que receberá a tarifa de 12,5%, ao lado de outras 38 nações, como China, Rússia, Arábia Saudita e Austrália. Outras economias, como Canadá, México e Reino Unido, foram alvo de uma tarifa de 10%. Também foram definidas taxas específicas para Japão, Coreia do Sul, Suíça, Taiwan e União Europeia.

No caso específico do Brasil, a investigação aponta que o país teria importado cinco tipos de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado entre 2021 e 2025. A lista inclui alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.

A medida, no entanto, prevê uma série de isenções. Ficaram de fora da sobretaxa os países que possuem acordos comerciais específicos com os EUA ou que comprovaram ter regimes de proibição de trabalho forçado. Entre os isentos estão Argentina, União Europeia e Reino Unido.

O Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o país decidiu adotar uma postura mais firme. "Se os países estiverem no caminho correto, eles estarão sujeitos a uma determinada tarifa, de cerca de 10%. Se não estiverem adotando as medidas necessárias, a tarifa será um pouco maior, de 12,5%", declarou Greer.