Barueri, SP
Política

EUA rebatem Itamaraty e classificam como “absurdo” temor de ação militar no Brasil

Em resposta ao chanceler Mauro Vieira, Departamento de Estado americano afirma que medida contra PCC e CV visa combater facções em seu próprio território

Redação O Informantte·08/07/2026, 14:04·2 min de leitura
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EUA rebatem Itamaraty e classificam como “absurdo” temor de ação militar no Brasil

O governo dos Estados Unidos reagiu duramente a um alerta feito pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, sobre a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em resposta exclusiva ao portal Metrópoles, o Departamento de Estado americano classificou como “absurdo” o temor de que a medida possa ser usada para justificar o uso de força militar em território brasileiro.

A diplomacia norte-americana foi enfática ao afastar a possibilidade de uma intervenção. “Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmou o órgão.

O Departamento de Estado também criticou o que chamou de “alegações vagas” sobre intervenções militares, argumentando que esse tipo de discurso pode, na prática, beneficiar os próprios criminosos. “Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, completou a pasta.

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A controvérsia teve início com um documento assinado por Mauro Vieira e enviado à Câmara dos Deputados. No texto, o chanceler brasileiro manifestou preocupação com a decisão unilateral de Washington, afirmando que ela poderia abrir brechas para ações extraterritoriais contra o Brasil.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, alertou Vieira no documento.

O ministro argumentou que a legislação antiterrorismo dos EUA concede ampla discricionariedade ao governo americano, o que poderia gerar consequências para cidadãos e empresas brasileiras, mesmo que tivessem apenas ligações indiretas com as facções. Vieira ressaltou que o ato foi “unilateral” e que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal sobre a medida, embora tenha se posicionado de forma contrária.

A decisão de classificar o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos no fim de maio e oficializada em 5 de junho, durante a gestão do presidente Donald Trump. A medida faz parte de uma estratégia de Washington para endurecer o combate ao crime organizado transnacional.

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