O exército do Líbano iniciou o posicionamento de suas tropas na cidade de Zawtar al-Gharbiyeh, no sul do país, nesta terça-feira (21). A movimentação ocorre após a retirada das forças de Israel da região, em cumprimento a um plano mediado pelo governo dos Estados Unidos, segundo informou uma autoridade de segurança libanesa de alto escalão.

O acordo prevê que as tropas do exército libanês assumam o controle e confisquem as armas do grupo Hezbollah, alinhado ao Irã, em áreas do sul do Líbano. Em contrapartida, as tropas israelenses devem se retirar gradualmente da região. As forças armadas de Israel confirmaram na segunda-feira (20) o início do que chamaram de "programa de zona-piloto".

A transferência de território desta terça é considerada o primeiro grande teste do plano. Com ele, o governo do Líbano espera retomar o controle de uma faixa de terra de aproximadamente 10 quilômetros para o interior do país, que permanecia ocupada por tropas israelenses.

Em comunicado, o Exército libanês confirmou que suas unidades começaram a se posicionar em Zawtar al-Gharbiyeh e fez um apelo para que os moradores não entrem na cidade até que a situação de segurança se estabilize, seguindo as instruções das unidades militares para garantir a própria segurança.

Do lado israelense, uma autoridade militar afirmou que "o projeto-piloto serve como um teste da soberania das Forças Armadas Libanesas nas três aldeias piloto, na qualidade de única autoridade oficial autorizada a portar armas na região".

Apesar do acordo, autoridades de Israel expressaram ceticismo sobre a capacidade real do Líbano de desarmar o Hezbollah. Ainda assim, o governo israelense vê o plano como um passo vital para a construção de uma paz duradoura com o país vizinho.

A mais recente onda de confrontos entre Israel e o Hezbollah começou no início de março, dois dias após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Na ocasião, o Hezbollah afirmou que suas ações eram em apoio a Teerã. O conflito deixou dezenas de vilarejos e a infraestrutura da região destruídos, incluindo hospitais e usinas de energia, e forçou a saída de dezenas de milhares de moradores.

Ainda nesta terça-feira, está previsto um encontro entre o presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington.