Visitantes do Museu de História Natural de Abu Dhabi têm a rara oportunidade de ver de perto o esqueleto original de “Lucy”, o fóssil de uma hominídea de 3,2 milhões de anos que mudou a forma como entendemos a evolução humana. A exibição, que tem atraído público em uma galeria especial do museu, marca uma das raras ocasiões em que o espécime deixa a Etiópia.
Os ossos de Lucy, como ficou conhecido o fóssil da espécie Australopithecus afarensis, foram encontrados em 1974 na região de Afar, na Etiópia. A descoberta foi realizada por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo paleoantropólogo americano Donald Johanson.
O achado do esqueleto, um dos mais completos já registrados, foi precedido por outra descoberta importante. Poucas semanas antes, o paleoantropólogo etíope Ato Alemayehu Asfaw, que integrava a equipe, encontrou uma mandíbula da mesma espécie, o que deu novo impulso aos trabalhos. Asfaw, mais tarde, tornou-se diretor do Museu Nacional da Etiópia.
A principal contribuição científica de Lucy foi fornecer evidências claras de que a postura e o andar eretos são anteriores à expansão do cérebro humano. Essa constatação reformulou por completo as narrativas científicas que dominavam o campo da paleoantropologia por décadas, consolidando o fóssil como um marco no estudo de nossos ancestrais.
No museu em Abu Dhabi, o fóssil surpreende pelo tamanho reduzido e é apresentado com iluminação especial. O ambiente silencioso e de reflexão, segundo relatos, convida o público a pensar sobre a longa jornada da espécie humana.







