O Google está implementando novas diretrizes que permitem às instituições de ensino limitar o acesso de estudantes aos seus recursos de inteligência artificial. No entanto, os colégios que decidirem desativar integralmente as soluções de IA da empresa também perderão o acesso ao mecanismo da Busca do Google.
A decisão altera diretamente a rotina de alunos e educadores que utilizam amplamente os ecossistemas da companhia. Atualmente, os laptops Chromebook da marca são adotados por dezenas de milhões de estudantes, desde o jardim de infância. O cenário reflete debates sobre o tempo de uso de telas e a presença da inteligência artificial nas salas de aula, impulsionados por preocupações com possíveis impactos na aprendizagem, no desenvolvimento pedagógico e na segurança.
Diversos distritos escolares, incluindo as redes públicas de Nova York e de Los Angeles, adotaram restrições a ferramentas de inteligência artificial generativa neste ano letivo. Diante desse cenário, a big tech anunciou que serviços como o assistente Gemini e a Busca ficarão desligados por padrão para contas de alunos do ensino fundamental e médio, cabendo aos administradores escolares a ativação expressa. A determinação reverte a medida aplicada em agosto, quando o Gemini vinha ativado por padrão no aplicativo Google Classroom.
De acordo com o vice-presidente de educação do Google, Chris Phillips, em declaração ao New York Times, os recursos de pesquisa e inteligência artificial estão profundamente integrados. O executivo explicou que as instituições que optarem por bloquear a IA não terão acesso à ferramenta de busca e receberão um aviso indicando a indisponibilidade do serviço. Nos últimos anos, a plataforma incorporou resumos automáticos no topo das pesquisas e ampliou o espaço de consultas para acomodar comandos mais extensos.
Em posicionamento divulgado no X, a empresa declarou que a reformulação oferece mais alternativas de escolha aos colégios, permitindo habilitar individualmente o Gemini, o Gemini Notebook e a Busca. Apesar disso, a publicação sinaliza que a navegação no buscador não funcionará sem as ferramentas automatizadas, ressaltando que o Modo IA e as Visões Gerais de IA foram desenhados para fornecer aprendizado guiado etapa por etapa, impedindo que os alunos obtenham respostas prontas de imediato.
A iniciativa integra uma série de atualizações voltadas ao ambiente educacional. Seguindo essa linha, outras empresas também buscam adaptar seus produtos ao setor, a exemplo da OpenAI, que lançou em agosto o ChatGPT para Adolescentes com foco em segurança e um Modo de Estudo. Em contrapartida, a nova política gerou contestações. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que determinou a proibição de IA nas escolas públicas locais, afirmou no LinkedIn que nenhuma empresa privada deveria ditar os rumos da educação e acusou a fornecedora de tentar impor a tecnologia.