Sindicatos estudantis da França prometeram manter os protestos mesmo após o governo anunciar o envio de cerca de 3 mil professores para suprir a falta de profissionais nas escolas. A medida foi classificada pelos estudantes como uma primeira vitória, mas uma nova rodada de greves foi convocada para a próxima terça-feira.
A mobilização tem ganhado apoio de estudantes de universidades de elite de Paris, e 141 escolas permanecem fechadas em todo o país. Os protestos, que começaram contra a falta de recursos, evoluíram para um movimento mais amplo, com universitários expressando indignação com o que consideram um sistema disfuncional, agravado por cortes de gastos.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que o ministério está contatando com urgência 3 mil professores qualificados para serem enviados às escolas com maior necessidade, muitas delas em áreas de baixa renda. Segundo ele, a medida custará "várias dezenas de milhões de euros" e entra em vigor imediatamente. Durante uma visita a uma escola depredada na região de Paris, Geffray informou que mais de 100 profissionais da educação ficaram feridos nos protestos.
Nesta sexta-feira (9), a polícia desfez um bloqueio na Universidade Assas, uma das principais faculdades de Direito da França. A instituição de engenharia Mines Paris e o Institut Catholique, uma universidade privada, também tiveram suas atividades afetadas por bloqueios, com a última optando por aulas remotas.
Para Marius Mesnil, de um sindicato de estudantes do ensino médio, a contratação emergencial mostra que vale a pena continuar protestando. "Acho absurdo que precisemos bloquear centenas de escolas de ensino médio apenas para conseguir um plano de preenchimento de vagas", disse ele à rádio Franceinfo.
O governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta o desafio de conciliar as demandas por mais investimentos com a necessidade de conter a dívida pública. Stéphane Boujnah, presidente da Euronext, que opera a Bolsa de Paris, defendeu a necessidade de tomar decisões difíceis. "Talvez precisemos gastar um pouco menos com aposentadorias para ter um pouco mais de dinheiro para as crianças", declarou à rádio RMC.
Dados do Ministério da Educação indicam que quase 10% das horas de aula nas escolas públicas de ensino médio não contam com professores. Segundo especialistas, essa situação tem levado pais de maior renda a migrar para escolas particulares, o que pode acentuar a desigualdade social. "Sejamos francos, as famílias estão deixando as escolas públicas para matricular seus filhos em nossas instituições", afirmou Pierre-Vincent Gueret, presidente da federação francesa de escolas particulares católicas.
O Ministério do Interior informou que 71.500 pessoas participaram das manifestações na quinta-feira. O movimento na França também inspirou protestos estudantis na Bélgica, que se intensificaram nesta sexta-feira com manifestações em Bruxelas.