O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou nesta terça-feira (14) o aumento do percentual de etanol anidro misturado à gasolina. A proporção, que era de 30%, subiu para 32%. A decisão é uma resposta à recente alta no preço do barril de petróleo, impactado por novos conflitos entre Estados Unidos e Irã que afetaram o fornecimento global.
Segundo o CNPE, a medida tem validade de 180 dias e tem como objetivo principal controlar o preço dos combustíveis para o consumidor final, utilizando o biocombustível como uma ferramenta para mitigar a dependência do mercado externo.
A estratégia de usar o etanol para reduzir o impacto das crises do petróleo não é nova no Brasil. A prática começou de forma tímida na década de 1930, quando uma lei tornou obrigatória a adição de 2% de etanol, mas apenas para a gasolina importada.
O ponto de virada ocorreu nos anos 1970, durante a primeira grande crise do petróleo. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) restringiu a produção, provocando uma escalada nos preços. O valor do barril saltou de US$ 1,90, em 1972, para US$ 11,20 em 1974.
Diante desse cenário, o governo brasileiro instituiu, em novembro de 1975, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A iniciativa uniu o governo, a indústria automobilística e pesquisadores para ampliar a produção e o uso do etanol como combustível, tanto puro quanto misturado à gasolina em maiores proporções.
Um dos marcos desse período foi o lançamento, em 1979, do Fiat 147. O modelo foi o primeiro carro do mundo produzido em série para rodar com 100% de etanol, consolidando a aposta do país no combustível de cana-de-açúcar.








