A indústria siderúrgica da Ucrânia, um dos pilares da economia do país e crucial para o esforço de guerra, enfrenta um novo e significativo obstáculo: as novas regulamentações ambientais da União Europeia. O setor, que já perdeu cerca de 80% de sua capacidade de produção devido à invasão russa, agora precisa se preparar para o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que entrará em vigor em 2026.

O CBAM exigirá que os exportadores para a UE paguem uma taxa sobre as emissões de carbono incorporadas em seus produtos, como aço e cimento. Para a Ucrânia, cujas siderúrgicas ainda dependem de tecnologia da era soviética, a adaptação representa um desafio financeiro monumental. Segundo Stanislav Zinchenko, chefe da consultoria GMK Center, a modernização para tecnologias "verdes" exigiria um investimento de aproximadamente 35 bilhões de dólares.

Antes da guerra, a UE era o principal mercado para o aço ucraniano, absorvendo 38% das exportações do setor. Atualmente, as exportações estão suspensas de tarifas até junho de 2025, mas a indústria opera com prejuízo, focada em fornecer material para fortificações militares e, eventualmente, para a reconstrução do país.

Yuriy Ryzhenkov, CEO da Metinvest, a maior siderúrgica da Ucrânia, afirmou que a empresa está discutindo com o governo ucraniano e a Comissão Europeia a possibilidade de obter isenções ou períodos de transição mais longos. "Precisamos de acesso aos mercados europeus para gerar os fundos necessários para a transformação verde", declarou Ryzhenkov. Ele estima que a modernização de suas próprias usinas custaria cerca de 9 bilhões de dólares.

A siderúrgica ArcelorMittal Kryvyi Rih, outra gigante do setor, também busca apoio. Mauro Longobardo, CEO da empresa, destacou que a prioridade imediata é a sobrevivência, mas que a transição para uma produção de aço com baixa emissão de carbono é inevitável e exigirá investimentos que a empresa não pode realizar sozinha sob as atuais condições de guerra.

A Comissão Europeia informou que está em diálogo com a Ucrânia para encontrar soluções, mas ressaltou que o CBAM será aplicado a todos os países terceiros sem exceção. A medida visa evitar a "fuga de carbono", onde empresas europeias movem sua produção para países com regras ambientais menos rígidas.

Para a Ucrânia, o caminho é complexo. Além de buscar financiamento internacional e apoio da UE, o país precisa garantir a segurança de suas instalações industriais, constantemente ameaçadas por ataques russos, antes de iniciar qualquer grande projeto de modernização.