Barueri, SP
Economia

Indústria de aço da Ucrânia enfrenta novas barreiras com regras da União Europeia

Setor, já devastado pela guerra, precisará de bilhões em investimentos para se adequar ao Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) a partir de 2026

Redação O Informantte·14/08/2026, 17:47·2 min de leitura
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A indústria siderúrgica da Ucrânia, um dos pilares da economia do país e crucial para o esforço de guerra, enfrenta um novo e significativo obstáculo: as novas regulamentações ambientais da União Europeia. O setor, que já perdeu cerca de 80% de sua capacidade de produção devido à invasão russa, agora precisa se preparar para o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que entrará em vigor em 2026.

O CBAM exigirá que os exportadores para a UE paguem uma taxa sobre as emissões de carbono incorporadas em seus produtos, como aço e cimento. Para a Ucrânia, cujas siderúrgicas ainda dependem de tecnologia da era soviética, a adaptação representa um desafio financeiro monumental. Segundo Stanislav Zinchenko, chefe da consultoria GMK Center, a modernização para tecnologias "verdes" exigiria um investimento de aproximadamente 35 bilhões de dólares.

Antes da guerra, a UE era o principal mercado para o aço ucraniano, absorvendo 38% das exportações do setor. Atualmente, as exportações estão suspensas de tarifas até junho de 2025, mas a indústria opera com prejuízo, focada em fornecer material para fortificações militares e, eventualmente, para a reconstrução do país.

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Yuriy Ryzhenkov, CEO da Metinvest, a maior siderúrgica da Ucrânia, afirmou que a empresa está discutindo com o governo ucraniano e a Comissão Europeia a possibilidade de obter isenções ou períodos de transição mais longos. "Precisamos de acesso aos mercados europeus para gerar os fundos necessários para a transformação verde", declarou Ryzhenkov. Ele estima que a modernização de suas próprias usinas custaria cerca de 9 bilhões de dólares.

A siderúrgica ArcelorMittal Kryvyi Rih, outra gigante do setor, também busca apoio. Mauro Longobardo, CEO da empresa, destacou que a prioridade imediata é a sobrevivência, mas que a transição para uma produção de aço com baixa emissão de carbono é inevitável e exigirá investimentos que a empresa não pode realizar sozinha sob as atuais condições de guerra.

A Comissão Europeia informou que está em diálogo com a Ucrânia para encontrar soluções, mas ressaltou que o CBAM será aplicado a todos os países terceiros sem exceção. A medida visa evitar a "fuga de carbono", onde empresas europeias movem sua produção para países com regras ambientais menos rígidas.

Para a Ucrânia, o caminho é complexo. Além de buscar financiamento internacional e apoio da UE, o país precisa garantir a segurança de suas instalações industriais, constantemente ameaçadas por ataques russos, antes de iniciar qualquer grande projeto de modernização.

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